Terça-feira, 6 de Março de 2007

PCP

 Peace Pill, Pó de Anjo, Angel Dust

Apresentação

O PCP ou Fenciclidina tem nomes de rua como angel dust, pó de anjo, krystal ou peace pill. Tem uma acção alucinogénea e apresenta-se sob a forma de pó branco cristalino com sabor amargo, cápsulas ou líquido amarelado. Pode ser fumado, inalado, ingerido ou injectado.

Provoca anestesia dissociativa, isto é, deprime os centros nervosos responsáveis pela dor e impede que a percepção corporal chegue às funções cerebrais. É um anestésico geral, no entanto, o seu uso terapêutico foi abandonado.

Origem

O PCP ou fenciclidina foi sintetizado pelos laboratórios Parke & Davis em 1959, sendo depois comercializado como agente anestésico para uso humano e veterinário. O seu uso em humanos foi interrompido em 1965 devido aos seus efeitos secundários. O PCP apareceu como droga de rua nos anos 70, no entanto nunca foi muito popular na Europa.

Efeitos

Os seus efeitos duram entre 2 e 48 horas e podem traduzir-se por dissociação psicofísica, distorção das mensagens sensoriais, desinibição, sensação de flutuar no espaço, desaparecimento de dores, alucinações, agitação, euforia, sensação de força, poder e invulnerabilidade. A nível físico, pode ocorrer descoordenação muscular, taquicardia, depressão cardiovascular e respiratória.

Doses elevadas podem provocar náuseas, vómito, visão turva, movimentos oculares involuntários, perda de equilíbrio, convulsões, perda de peso, alterações neurológicas e cardiovasculares perigosas, coma, depressão cardiovascular e respiratória ou morte.

Riscos

O Consumo prolongado poderá originar depressão crónica, estupor, psicose, dificuldades de linguagem, lapsos de memória ou desordens psicomotoras.

Ganhou a reputação de droga perigosa devido aos episódios de comportamentos violentos e agressivos associados ao consumo. Quando os sujeitos estão sob o efeito da fenciclidina sentem-se mais fortes e têm alguns limites a nível de contenção.

Tolerância e Dependência

Provoca tolerância e dependência psicológica; não existem registos de dependência física.

publicado por cm30ativo às 14:49
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ÓPIO


Apresentação

O ópio, produto natural da papoila Papaver Somniferum, pertence à categoria dos opiáceos, a qual é também composta pela morfina, codeína e heroína. É obtido através da realização de uma incisão na cápsula da papoila, de onde sai um líquido de aspecto leitoso que solidifica com facilidade, tornando-se acastanhado. São necessárias, em média, 3000 plantas para obter um quilo e meio de ópio.

É apresentado sob a forma de tubos pequenos (semelhantes a um cigarro sem filtro), pó ou pequenas bolinhas já preparadas para o consumo. A forma mais habitual de consumir ópio é fumá-lo, mas pode também ser comido, bebido ou injectado.

Os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos localizados no sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas. A nível farmacológico, os principais efeitos do ópio são causados pela morfina, um dos seus principais compostos. Tem uma potente acção analgésica e depressora sobre o Sistema Nervoso Central.

Origem

O ópio é extraído da papoila Papaver Somniferum que cresce no Médio e Extremo Oriente e mais recentemente, nos Estados Unidos. Em Portugal, foram descobertas plantações no Alentejo e Algarve.

A palavra ópio deriva do grego ôpion, que significa suco ou sumo de uma planta. No latim medieval chamava-se Opium, opiatum ipistus.

Achados arqueológicos na Suíça mostram-nos que 3200 a 2600 anos A.C. a papaver era já cultivada, pensa-se que para fins alimentares (45% de óleo), apesar de serem também conhecidas as suas propriedades narcóticas. Os primeiros escritos a mencionar o ópio são de Teofrasto e datam de III a.C.. No mundo clássico Greco-latino, a papaver era usada pelas elites para fins medicinais, sendo considerada um medicamento mágico. O ópio atinge grande prestígio nos finais da Idade Média e no Renascimento devido à acção dos "Senhores" de Veneza que detinham o seu quase monopólio. Entrou na Europa por intermédio de Paracelsus (1493-1541). Só no século VII é que passa a ser conhecido no Oriente enquanto um produto mágico oriundo do Ocidente.

Sendo inicialmente uma substância utilizada para fins terapêuticos, transforma-se numa substância de abuso e de recreação, assumindo este tipo de consumo particular saliência a partir do século XVIII. Na China, esta expansão adquiriu características epidémicas devido às grandes importações da Inglaterra (grande controladora das plantações da papaver), às quais a China, mais tarde, se irá opor, gerando as guerras do Ópio e consequentemente um aumento dos lucros para o mercado desta substância (finais do século XIX).

No século XIX começam a ser isoladas as substâncias que compõem o ópio. A primeira foi a morfina em 1806, seguida pela codeína em 1832 e a papaverina em 1848. Em termos medicinais, estas substâncias acabam por substituir o ópio, sendo utilizadas como analgésicos e contra a diarreia.

O aumento de imigrantes chineses nos Estados Unidos, assim como a administração intravenosa a feridos da guerra civil, fez com que o uso de opiáceos aumentasse drasticamente neste país. Tal facto criou condições para que a morfina se tornasse um importante remédio para combater o vício do ópio.

No final do século XIX, os Estados Unidos começam a tentar controlar o uso do ópio, tentando mesmo proibi-lo. Charles Henry Brent, o bispo americano nas Filipinas, leva a cabo uma campanha moralista contra o ópio e a opiomania, tendo esta grande aceitação. Também na China se fazem notar movimentos anti-ópio, que são vistos com desconfiança pela Inglaterra e Holanda, as principais beneficiárias dos lucros deste comércio.

A pressão americana faz com que em 1909, representantes de países com colónias no Oriente e na Pérsia se reunissem em Shangai na Conferência Internacional do Ópio, presidida pelo Bispo Brent, à qual se seguiu a de Haia em 1911. Em 1912 realizou-se a primeira convenção internacional do Ópio, que procurou que os países signatários criassem o compromisso de tomar medidas de controlo do comércio do ópio nos seus próprios sistemas legais. Em 1913 e 1914 realizam-se novas convenções, tendo sido a partir desta última que os Estado Unidos criaram a Lei dos Narcóticos de Harrison, que não só controlava o comércio, como também tornava ilegal a posse por parte de pessoas não autorizadas.

Efeitos

O ópio pode produzir o alívio da dor e da ansiedade, diminuição do sentimento de desconfiança, euforia, flash, sensação de bem-estar, tranquilidade, letargia, sonolência, depressão, impotência, incapacidade de concentração, embotamento mental. Estes efeitos podem ser acompanhados de depressão do ciclo respiratório (causa de morte por overdose), edema pulmonar, baixa de temperatura, náuseas, vómitos, contracção da pupila, desaparecimento do reflexo da tosse, obstipação, amenorreia ou morte.

Os efeitos duram entre 4 a 6 horas.

Riscos

A longo prazo, o ópio pode diminuir a capacidade de trabalho, provocar enfraquecimento físico e diminuir o desejo sexual.

Na mulher produzem-se ciclos menstruais irregulares.

Tolerância e Dependência

Existe tolerância assim como grande dependência, tanto física como psicológica.

Síndrome de Abstinência

O indivíduo poderá experimentar bocejos, febre, choro, sudação, tremores, náuseas, agitação, ansiedade, irritabilidade, insónia, hipersensibilidade à dor, dilatação das pupilas, taquicardia e aumento da tensão arterial. Posteriormente poderão ocorrer dores abdominais, toráxicas e nos membros inferiores, lombalgias, diarreia ou vómitos.

publicado por cm30ativo às 14:49
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NITRATO DE AMY

Poppers, Rush

Apresentação

O Nitrato de Amyl é conhecido pelos seus consumidores pelas denominações poppers, rush ou liquid gold. É um líquido amarelado, altamente inflamável, que é geralmente vendido em garrafas pequenas. O seu consumo é feito por inalação de vapores através de uma garrafa pequena ou tubo, por vezes em conjunto com outras drogas como o ecstasy.

Tem uma acção psicadélica e provoca relaxamento dos músculos lisos e vasodilatação.

Origem

O nitrato de amyl foi descoberto durante o século XIX. Em 1857, Brunton fez a administração do nitrato por inalação e observou a diminuição da dor em 30 ou 60 segundos. Em 1879, William Murrell encontrou semelhanças entre a acção desta substância e a da nitroglicerina, pelo que a primeira começou a cair em desuso. Nos anos 80, o nitrato de amyl começou a ser usado de forma não terapêutica devido aos seus efeitos psicadélicos.

Efeitos

Esta substância tem efeitos que duram apenas 2 ou 3 minutos e que podem incluir agitação, riso histérico, náuseas, tonturas, aumento do prazer sexual, relaxamento muscular, rubor facial, dor de cabeça, sensação de desmaio, mau-estar ou problemas de pele à volta da boca e nariz.

Riscos

Podem queimar a pele se entornados ou ser fatais se engolidos.

Os poppers não devem ser consumidos por pessoas com anemia, problemas cardíacos, de tensão arterial, respiratórios, de visão e glaucoma.

Não devem ser misturados com estimulantes (porque ambos provocam taquicardia) nem com Viagra.

Dependência

Não cria dependência física mas pode criar dependência psicológica.

publicado por cm30ativo às 14:48
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MORFÍNA

Morfa

Apresentação

A morfina ou morfa (como é chamada no calão) é o principal elemento activo do ópio, sendo, por isso, categorizada como um opiáceo.

Esta substância existe em forma de pó, líquido, barra ou comprimidos, podendo ser consumida por via oral, fumada ou injectada.

Os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos localizados no sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas. Tem efeitos analgésicos.

Origem

No século XIX foram isoladas várias substâncias do ópio, entre as quais a morfina em 1806. Friedrich Serturner foi o farmacêutico que extraiu a morfina na sua forma pura, à qual atribuiu este nome em honra de Morpheu, o deus grego do sono. Esta substância adquiriu grande popularidade e utilidade médica, o que levou a que já em 1823 se começassem a descrever casos de problemas relacionados com este estupefaciente.

Em meados do século XIX, a invenção da seringa hipodérmica contribui para a divulgação do uso intravenoso da morfina como analgésico. Eventos bélicos como a guerra franco-prussiana (1870-1871), durante a qual foram administradas doses elevadas de morfina a soldados para fins analgésicos, originam as primeiras epidemias devido a esta substância. Tal facto permite a Lovis Lewin sugerir o termo "morfismo" (1874) e o conceito de dependência (1879), nas suas publicações baseadas em investigações de 110 casos de "toxicodependência".

Nos fins do século XIX, a morfina era principalmente utilizada pelo pessoal de saúde, pessoas do mundo do espectáculo e mulheres da classe média alta. Devido ao seu uso abusivo, nos inícios do século XX, começa a surgir um maior controlo da morfina. Apesar do seu grande controlo, a morfina continua a ser um fármaco legal, o que permite a existência de um pequeno grupo de morfinómanos até, pelo menos, meados dos anos 70.

Efeitos

A morfina, cujos efeitos duram cerca de 4 a 6 horas, pode provocar alívio da dor e da ansiedade, diminuição do sentimento de desconfiança, euforia, flash, sensação de bem-estar, tranquilidade, letargia, sonolência, depressão, impotência, incapacidade de concentração ou embotamento mental. A nível físico pode ocorrer depressão do ciclo respiratório (causa de morte por overdose), edema pulmonar, baixa de temperatura, náuseas, vómitos, contracção da pupila, desaparecimento do reflexo da tosse, obstipação, amenorreia ou morte.

Riscos

Na mulher, pode produzir ciclos menstruais irregulares.

Tolerância e Dependência

Existe tolerância cruzada entre os agonistas opiáceos. Provoca grande dependência, tanto física como psicológica.

Síndrome de Abstinência

Podem ocorrer bocejos, febre, choro, sudação, tremores, náuseas, agitação, ansiedade, irritabilidade, insónia, hipersensibilidade à dor, dilatação das pupilas, taquicardia ou aumento da tensão arterial. Numa fase posterior podem surgir dores abdominais, toráxicas e nos membros inferiores, lombalgias, diarreia e vómitos.


publicado por cm30ativo às 14:47
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MESCALÍNA


Apresentação

A mescalina é um alucinogéneo forte extraído do cacto Peyote (Lophophora Williamsii). Apresenta-se sob a forma de pó branco, que é geralmente consumido por via oral (mastigado ou por infusão) ou, ocasionalmente, injectado.

Esta substância tem propriedades antibióticas e analgésicas. Instala-se em receptores cerebrais provocando alterações de consciência e percepção, principalmente a nível visual.

Origem

O Peyote, cacto de onde é extraída a mescalina e que se desenvolve nas zonas desérticas do norte do México, era uma planta sagrada para os Huichols mexicanos. Era usada em rituais pelos chamanes de várias tribos na época pré-hispânica, contudo a conquista e a coversão ao catolicismo limitou o seu uso a sectores marginais de Huicholes e Yakis.

No final do século XIX, as migrações para as reservas índias e o movimento de revitalização religiosa, conhecida como Igreja Nativa Americana (que surge, parcialmente, como reacção aos problemas causados pelo álcool), faz com que o uso de rebentos de mescalina volte a verificar-se em rituais.

A mescalina foi isolada em 1896 e sintetizada em 1919, mas só mais tarde, em 1927, é que foram descritos os seus efeitos na mente humana.

Nos anos 60, a mescalina torna-se popular com a obra de Carlos Castañeda sobre D. Juan, um bruxo Yaki. A partir desta altura, torna-se num dos sinais de identidade do movimento da contra-cultura, estando associada a misticismo. "As portas da percepção", obra de Aldous Huxley foi baseada neste alucinogéneo.

Efeitos

A mescalina tem efeitos psicadélicos semelhantes aos do LSD mas menos intensos. Pode provocar a intensificação da percepção, sinestesias, distorções da imagem corporal e da percepção do espaço e do tempo, alucinações, intensificação e instabilidade emocional, aumento da capacidade sugestiva, sintomas de despersonalização e ideias paranóides. Estes efeitos podem ser acompanhados de tremores, taquicardia, hipertensão, hipertermia, transpiração, visão enevoada e dilatação da pupila.

Esta substância alcança a sua concentração máxima no Sistema Nervoso 30 a 120 minutos após o seu consumo e os seus efeitos podem durar até 10 horas.

Riscos

Tolerância e Dependência

A tolerância é praticamente nula e a dependência é semelhante à do LSD, isto é, reduzida.

publicado por cm30ativo às 14:46
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LSD

Ácido, Pills, Trips

Apresentação

O LSD, também chamado de ácido, pills, cones ou trips é uma droga com acção alucinogénia ou psicadélica. A dietilamida do ácido lisérgico é sintetizada clandestinamente a partir da cravagem de um fungo do centeio (Claviceps purpúrea).

Pode apresentar a forma de barras, cápsulas, tiras de gelatina, micropontos ou folhas de papel secante (como selos ou autocolantes), sendo que uma dose média é de 50 a 75 microgramas. É consumido por via oral, absorção sub-lingual, injectada ou inalada.

Esta substância age sobre os sistemas neurotransmissores seratononérgicos e dopaminérgicos. Para além disso, inibe a actividade dos neurónios do rafe (importantes a nível visual e sensorial).

Não são conhecidas utilizações terapêuticas desta substância.

Origem

O LSD (ácido lisérgico dietilamida) foi sintetizado por Albert Hoffman em 1937, mas só em 1953 é que foram descobertos os seus efeitos alucinogéneos. Este químico alemão estava a trabalhar num laboratório suíço na síntese dos derivados do ácido lisérgico, uma substância que impede o sangramento excessivo após o parto. A descoberta dos efeitos do LSD verificou-se quando Hoffman ingeriu, de forma não intencional, um pouco desta substância e se viu obrigado a interromper o seu trabalho devido aos sintomas alucinatórios que estava a sentir.

Inicialmente, foi utilizado como recurso psicoterapêutico e para tratamento de alcoolismo e disfunções sexuais. Com o movimento hippie começa a ser utilizado de forma recreativa e provoca grande agitação nos Estados Unidos. O consumo do LSD difunde-se nos meios universitários norte-americanos, grupos de música pop, ambientes literários, etc. Lucy in the Sky with Diamonds, uma das mais conhecidas músicas dos Beatles, é uma alusão ao LSD.

Recentemente verificou-se um ligeiro aumento do consumo de LSD, provavelmente como resultado da influência do revivalismo dos anos 70.

Efeitos

Os efeitos variam consoante a personalidade do sujeito, o contexto (ambiente) e a qualidade do produto, podendo ser agradáveis ou muito desagradáveis. O LSD pode provocar ilusões, alucinações (auditivas e visuais), grande sensibilidade sensorial (cores mais brilhantes, percepção de sons imperceptíveis), sinestesias, experiências místicas, flashbacks, paranóia, alteração da noção temporal e espacial, confusão, pensamento desordenado, baforadas delirantes podendo conduzir a actos auto-agressivos (suicídio) e hetero-agressivos, despersonalização, perda do controlo emocional, sentimento de bem-estar, experiências de êxtase, euforia alternada com angústia, pânico, ansiedade, depressão, dificuldade de concentração, perturbações da memória, psicose por “má viagem”. Poderão ainda ocorrer náuseas, dilatação das pupilas, aumento da pressão arterial e do ritmo cardíaco, debilidade corporal, sonolência, aumento da temperatura corporal.

Estes efeitos duram entre 8 a 12 horas e aparecem cerca de 30/40 minutos após o consumo.

Riscos

Não existem provas das consequências físicas do consumo de LSD; apenas se conhecem as relacionadas com problemas psicológicos, como a depressão, ansiedade, psicose, etc.

O consumo do LSD poderá provocar a alteração total da percepção da realidade.

O flashback ou revivescência é o principal perigo do consumo. Nestas situações, o indivíduo volta a experimentar a vivência tida com a droga, sem que para tal tenha de a consumir de novo. Estes flashbacks podem ocorrer semanas após a ingestão da substância.

Em mulheres grávidas pode induzir a contracção das fibras do músculo uterino.

Há riscos de sobredosagem dada a percentagem muito variável de pureza do produto. É desaconselhável o consumo não acompanhado/isolado devido a riscos de distracção perceptiva.

Quando misturado com produtos do tipo anfetaminas torna-se mais perigoso.

Não consumir em caso de problemas de saúde mental, depressão ou crises de ansiedade.

Tolerância e Dependência

Parece existir tolerância, no entanto os estudos divergem. A tolerância desaparece rapidamente após alguns dias de abstinência. Pode criar dependência psicológica mas não cria dependência física.

publicado por cm30ativo às 14:44
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KETAMÍNA

K, special K

Apresentação

A ketamina é um poderoso anestésico dissociativo que se encontra sob a forma de pó branco, líquido ou tablete e que é consumido por via oral, inalada ou injectada. A sua posse não é ilegal, dado que é prescrita por médicos.

A K ou special K, como é chamada pelos seus consumidores, é uma droga psicadélica derivada da fenciclidina. Parece deprimir selectivamente a função normal de associação do córtex e tálamo, aumentando a actividade do sistema límbico e produzindo um efeito analgésico e amnésico.

Origem

A ketamina foi produzida em 1965 pelos laboratórios Parke & Davis como um anestésico para uso humano (cirurgias) e, principalmente, veterinário. Foi utilizada no Vietnam para diminuir a dor dos feridos.

Começou a ter funções recreativas nos anos 70, muito associado à cultura Gay, sendo depois integrada nos contextos de festas rave.

Efeitos

A ketamina, cujos efeitos duram cerca de uma hora, pode produzir sensações de não pertença ao corpo, entorpecimento, alucinações profundas, visão em túnel, dificuldade em controlar movimentos e sentimentos, distorção do sentido de tempo e de identidade, sensação de distorção do corpo, experiência próxima da morte (a sensação de caminhar num túnel em direcção a uma luz brilhante), sensação de sufocar, amnésia ou delírio. Para além disso, podem ainda ocorrer vómitos, náusea, diarreia, baixa de temperatura, deterioração da função motora, coma e problemas respiratórios potencialmente mortais.

Riscos

Pode provocar problemas físicos e mentais profundos, incluindo delírio, amnésia, deterioração da função motora e problemas respiratórios potencialmente mortais.

A ketamina não deve ser misturada com álcool. Por vezes é vendida como ecstay.

Tolerância e Dependência

Esta substância cria tolerância. Não produz dependência física mas tem um ligeiro potencial para criar dependência psicológica.

publicado por cm30ativo às 14:43
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INALANTES



Apresentação

Inalante designa toda a substância passível de ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração pelo nariz ou boca. Os inalantes são geralmente solventes. Estes são substâncias que têm a capacidade de dissolver outro produto e costumam ser bastante voláteis (evaporam-se com facilidade, daí a facilidade da sua inalação) e inflamáveis. Existem diversas substâncias que podem ser inaladas. As mais usuais são produtos químicos de uso doméstico como aerossóis, gasolina, colas, esmaltes, tintas, vernizes, acetonas, éter ou ambientadores.

A forma mais comum de inalação consiste em colocar o produto num saco de plástico e ajustar a abertura do saco à volta da boca e do nariz para ser conseguida a aspiração dos vapores. É também possível embeber um pedaço de tecido com um produto, de forma a ser aspirado pelo nariz ou colocar a substância num recipiente metálico, sob o qual é aplicada uma fonte de calor para facilitar a libertação de vapores.

Estas substâncias são facilmente absorvidas pelo organismo e actuam a nível da estimulação dos receptores GABA ou fluidificação das membranas neuronais. São consideradas drogas alucinogéneas e depressoras.

Origem

A inalação de substâncias é uma prática que vem da antiguidade e que era bastante comum em rituais sociais ou cerimónias religiosas. A cannabis, o ópio e o tabaco (em forma de “nicotina rústica”) e alguns alucinogéneos foram as drogas mais consumidas por inalação. O óxido nitroso surge nos fins do século XIX e devido aos seus efeitos eufóricos, ganha popularidade como substância recreativa. De seguida surge o éter como tóxico, ao qual se segue a gasolina (as primeiras referências à sua inalação datam de 1934), o clorofórmio (1945) e colas (1957).

A inalação abusiva destas substâncias teve a sua origem nos Estados Unidos nos anos 50, alastrando-se depois ao resto do mundo. Regra geral, este abuso está associado a grupos sociais marginais, em especial em países com grupos sociais a viver em situações de precariedade, onde são característicos os “meninos de rua”.

Efeitos

Os efeitos dos inalantes duram cerca de 30 minutos e podem provocar excitação, exaltação do humor, euforia, alegria, desorientação, alucinações ocasionais e transtornos do comportamento (agressividade, hiper-actividade motora). Estes efeitos podem ser acompanhados de náuseas, espirros, tosse, salivação abundante e rubor facial.

Numa fase seguinte, os efeitos tornam-se menos positivos. Começa a verificar-se uma depressão do sistema nervoso, podendo a pessoa experimentar sonolência, confusão, desorientação, perturbações da visão, diminuição do auto-controle, dor de cabeça e palidez. As alucinações visuais e auditivas poderão manter-se. À medida que a depressão se aprofunda, estes efeitos acentuam-se e poderá ainda ocorrer redução do controlo muscular, vómitos, perda da consciência, surtos de convulsões, depressão respiratória, arritmias cardíacas, asfixia, coma ou morte.

Os efeitos podem assemelhar-se aos da embriaguez etílica.

Riscos

A aspiração crónica de solventes pode provocar apatia, dificuldade de concentração, défice de memória, destruição de neurónios, causando lesões irreversíveis no cérebro, epilepsia do lóbulo temporal, diminuição do nível intelectual e alterações no EEG. Para além disso, podem ainda verificar-se alterações cardiovasculares e pulmonares, síncope cardíaca, sintomas gastrointestinais, lesões na medula óssea, nos rins, no fígado e nos nervos periféricos que controlam os nossos músculos, podendo chegar a lesões musculares permanentes e à paralisia.

A depressão respiratória, arritmias cardíacas, asfixia, aspiração do vómito ou acidente poderão provocar a morte.

Tolerância e Dependência

Existe tolerância (geralmente ao fim de um ou dois meses) e dependência psicológica. O consumo crónico pode também criar dependência física.

Síndrome de Abstinência

Tem pouca intensidade e pode traduzir-se por ansiedade, agitação, depressão, perda de apetite, irritação, agressividade, tonturas, tremores e náusea.

publicado por cm30ativo às 14:42
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HEROÍNA

Cavalo, Cavalete, Chnouk, H, Heroa, Pó, Poeira

Apresentação

Esta substância é um opiáceo, sendo, por isso, produzida a partir da papoila (de onde é extraído o ópio), que é transformada em morfina e mais tarde em heroína. Os principais produtores de papoila são o México, Turquia, China, Índia e os países do chamado Triângulo Dourado (Birmânia, Laos e Tailândia).

Este alcalóide tem uma acção depressora do sistema nervoso. É comercializada em pó, geralmente castanho ou branco (quando pura) de sabor amargo. Foi, durante muito tempo, administrada por via intravenosa, mas o aparecimento da SIDA e os efeitos devastadores que esta teve nos heroinómanos, levou à procura de novas formas de consumo. Actualmente, opta-se também por fumar ou aspirar os vapores libertados pelo seu aquecimento. No entanto, a preparação de uma injecção de heroína continua a ser um ritual, do qual fazem parte a colher e o limão.

A heroína é frequentemente misturada com outras drogas como a cocaína ("speedball"), de forma tornar os efeitos de ambas mais intensos e duradouros.

Em calão, a heroína possui várias denominações. Entre elas podemos referir heroa, cavalo, cavalete, chnouk, castanha, H, pó, poeira, merda, açúcar, brown sugar, burra, gold (heroína muito pura), veneno, bomba ou black tar.

Os opiáceos actuam sobre receptores cerebrais específicos localizados no sistema límbico, na massa cinzenta, na espinal medula e em algumas estruturas periféricas. A morfina, um dos principais componentes da heroína é responsável pelos seus mais salientes efeitos. Funciona como um analgésico poderoso e abranda o funcionamento do Sistema Nervoso Central e da respiração.

Origem

O elevado número de viciados em morfina (usada como analgésico), criou a necessidade de se encontrar outra substância que funcionasse como substituto e não gerasse dependência. Foi neste contexto que, em 1874, os laboratórios alemães Bayer descobrem um novo produto, ao qual dão o nome de heroína (heroish em alemão significa poderoso, heróico). A heroína era três vezes mais forte do que a morfina com doses menores. Foi utilizada para tratamento de dependentes de morfina (aliviando os sintomas de abstinência) e de álcool e também com doentes de tuberculose incurável. Estes doentes, que acabavam por falecer, viam-se libertos das dores e tosse e, quando lhes eram administradas doses elevadas, experimentavam estados de euforia. Durante pouco mais do que uma década pensou-se que era segura, eficaz e não produzia efeitos secundários, no entanto, estes começaram a tornar-se visíveis, apesar dos esforços da Bayer para controlar as críticas. Ironicamente, verificou-se que a heroína é ainda mais viciante do que a morfina.

Os Estados Unidos, em 1912, fizeram esforços para combater o comércio de ópio, assinando um tratado internacional. Dois anos mais tarde, o Congresso norte-americano passou uma lei de restrição do uso de opiáceos, tornando, poucos anos depois, a heroína ilegal. Assim sendo, os indivíduos a quem antes era administrada heroína como medicamento e que entretanto tinham desenvolvido dependência, tornam-se, de um momento para o outro, marginais que se vêem obrigados a recorrer ao mercado negro para suprimir as suas necessidades e evitar a penosa síndrome de abstinência.

Em 1972, verifica-se uma quebra repentina do fornecimento de ópio, o qual se associou à acção da polícia. No entanto, veio a descobrir-se que tal se devia a desenvolvimentos no sudeste asiático, onde a produção estava a ser incrementada, com o apoio activo da CIA, para ser enviada para a Europa Ocidental. Como consequência, os consumidores de ópio rapidamente se tornam consumidores de heroína. Igual aceitação é encontrada entre os consumidores de anfetaminas, que passam a usar a heroína para combater o excesso de estímulos causados pelos speeds.

Verifica-se nova quebra do chamado "açúcar castanho" com o fim da guerra no Vietnam, que é compensada pelo aumento da produção do sudoeste asiático, com origem no Paquistão e Afeganistão. O aparecimento desta nova fonte, assim como a distribuição de metadona na Holanda, fazem com que os preços da heroína decaiam fortemente.

Efeitos

Os efeitos da heroína duram entre 4 a 6 horas. Inicialmente podem sentir-se náuseas e vómitos que são depois substituídos por sensação de bem-estar, excitação, euforia e prazer. Concomitantemente, pode sentir-se uma sensação de tranquilidade, alívio da dor e da ansiedade, diminuição do sentimento de desconfiança, sonolência, analgesia, letargia, embotamento mental, incapacidade de concentração ou depressão. Para além disso, pode ainda experimentar-se miose, estupor, depressão do ciclo respiratório (causa de morte por overdose), edema pulmonar, baixa de temperatura, amenorreia, anorgasmia, impotência, náuseas, vómitos, obstipação, pneumonia, bronquite ou morte.

Riscos

A longo prazo, o consumidor poderá sofrer alterações a nível de peso (emagrecimento extremo), afecções gastrointestinais ou patologias ginecológicas (amenorreia, problemas de ovulação). A nível psicológico, um dependente de heroína poderá tornar-se apático, letárgico, deprimido e obcecado pela droga. Muitos dos problemas que o heroinómano poderá ter estão relacionados com as infecções causadas pelo uso da seringa, falta de hábitos higiénicos e adulteração da substância. Assim sendo, existem riscos de aparecimento de chagas, abcessos, processos infecciosos como hepatites, pneumonias, SIDA, etc.

A quantidade real de heroína na dose vai de 0 a 80%, sendo que a percentagem mais frequente é de 5%. A adulteração da heroína faz-se através da sua mistura com produtos tóxicos ou prejudiciais (açúcar em pó, talco, lactose, farinha, aspirina, cacau).

A mistura de heroína com álcool ou outras drogas depressoras potencia os riscos de overdose.

Em mulheres grávidas, o consumo pode provocar abortos espontâneos, cesarianas e partos prematuros. Os recém-nascidos geralmente nascem mais pequenos do que a média, com sintomas de infecção aguda e dificuldades respiratórias, ou então com sintomas de abstinência.

O consumo crónico de heroína poderá implicar défices acentuados a nível social, podendo estes levar a desestruturação familiar, desemprego, dificuldades interpessoais, etc.

Tolerância e Dependência

A tolerância é desenvolvida com grande rapidez, o que leva ao aumento das quantidades consumidas para obtenção dos mesmos efeitos. Após um período de paragem, o consumo de uma dose equivalente à tolerância anteriormente adquirida poderá provocar overdose. Os opiáceos geram grande dependência, tanto física como psicológica.

Síndrome de Abstinência

Passa por diferentes fases. Inicialmente poderão ocorrer bocejos contínuos, choro, sudação, hiper-sensibilidade à dor, agitação e inquietação. De seguida, começa a ansiedade, irritabilidade, tremores, dores e espasmos musculares, dilatação da pupila e taquicardia. Com a progressão do quadro de abstinência surgem náuseas, vómitos, diarreia, ejaculação espontânea, dores fortes e febre.



 

 

publicado por cm30ativo às 14:40
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GHB

Ecstasy líquido

Apresentação

O Gama-Hidroxybutyrate, no calão chamado de GHB, GBH ou Ecstasy Líquido, é um químico depressor também com acção psicadélica. É encontrado em garrafas pequenas sob a forma de líquido um pouco mais espesso do que a água, incolor (embora possa ser tingido de qualquer cor), sem cheiro e um pouco salgado. Quando agitado, cria bolhinhas. Embora seja menos vulgar, pode ainda apresentar a forma de cápsulas ou pó. É geralmente consumido por via oral ou injectado.

Esta substância é produzida a partir do seu precursor, o gamma-butyrolactone ou GBL, que é um solvente encontrado em produtos de limpeza do chão, verniz para unhas, entre outros.

O GHB deprime o Sistema Nervoso produzindo efeitos anestésicos e sedativos.

Origem

O GHB foi produzido há mais de 40 anos em França como um potencial anestésico, mas foi rejeitado devido aos seus efeitos secundários indesejáveis. Em 1987 voltou a ser estudado para tratamento de desordens do sono como a narcolepsia e a cataplexia. Paralelamente, os consumidores de esteróides foram informados que o GHB poderia potenciar a produção da hormona do crescimento (durante o sono profundo). Devido ao número crescente de overdoses, poucos anos depois foi retirado do comércio.

No entanto, o GHB ganhou importância enquanto uma droga recreacional, sendo principalmente usada por frequentadores de discotecas e raves. Tal facto, fez com que começassem a surgir uma série de substâncias análogas, as quais quando estão no organismo transformam-se em GHB.

Esta droga é frequentemente apresentada na Internet como um indutor de sono, um anti-depressivo ou um produto para perda de peso, utilizações que não são substanciadas e que são potencialmente mortais.

Efeitos

A potência do líquido faz variar os seus efeitos, que geralmente começam a fazer sentir-se 10 minutos após o consumo e podem durar bastante tempo (um dia ou mais).

Quando consumido em pequenas dose, os efeitos são semelhantes aos do álcool ou do ecstasy (daí o nome de ecstasy líquido). O indivíduo pode sentir mais energia, sensação de bem-estar, euforia, relaxamento, aumento da confiança, desinibição, sensualidade, tonturas ou abrandamento do ritmo cardíaco.

Algumas pessoas podem ter efeitos menos positivos como náuseas, vómito, dores de cabeça, sonolência, tonturas, amnésia, perda de controlo muscular, problemas respiratórios, perda de consciência, incapacidade de se movimentar apesar de estar consciente ou morte.

Doses mais elevadas podem provocar agitação, alucinações, desorientação, sonolência, sedação, discurso incoerente, enjoo, dificuldade de concentração, dificuldade em focar a visão, perda de coordenação, relaxamento muscular, desmaio e morte.

Uma pessoa em overdose pode experimentar perda de consciência, sono ou sedação forte, do qual não consegue ser acordada num período de cerca de 3 horas. Em casos mais graves, é possível o estado de coma e morte. A respiração pode abrandar até 4 ou 6 inspirações por minuto.

Riscos

Os consumidores de GHB podem experimentar convulsões, problemas respiratórios ou mesmo coma. Tornou-se a principal causa de comas relacionadas com drogas nos Estados Unidos e em outros países. O número de overdoses por GHB nos Estados Unidos já superou as do Ecstasy.

Os riscos a longo prazo devido ao consumo desta substância não são ainda totalmente conhecidos.

O GHB não deve ser misturado com álcool ou outras drogas depressoras, dado que a mistura acentua os efeitos desta substância.

Doses pequenas podem ter efeitos desejáveis, mas um pequeno aumento da dose pode ter consequências fatais.

Dependência

Não é muito claro mas parece existir dependência física e psicológica.

Síndrome de Abstinência

Geralmente manifesta-se por agitação, ansiedade, insónia, tremores e dores musculares.

publicado por cm30ativo às 14:38
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ECSTAZY



Apresentação

Chamada droga de recreio ou droga de desenho, o Ecstasy é uma droga de síntese pertencente à família das fenilaminas. As drogas de síntese são derivados anfetamínicos com uma composição química semelhante à da mescalina (alucinogéneo). Desta forma, o Ecsatsy tem acção alucinogénea, psicadélica e estimulante.

É, geralmente, consumido por via oral, embora possa também ser injectado ou inalado. Surge em forma de pastilhas, comprimidos, barras, cápsulas ou pó. Pode apresentar diversos aspectos, tamanhos e cores, de forma a tornar-se mais atractivo e comercial. Esta variabilidade abrange também a composição das próprias pastilhas, o que faz com que, muitas vezes, os consumidores não saibam exactamente o que estão a tomar.

Existem outras drogas de desenho entre as quais e podem referir o MDA ou o MDE e que apresentam nomes de rua como a pílula do amor, eva, etc.

O Ecstasy actua mediante o aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. A serotonina parece afectar a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal. Não se conhecem usos terapêuticos para esta substância, embora tenha sido experimentada, antes da sua ilegalização, em contextos de terapia de casal e psicoterapia pelos seus efeitos entactogénicos.

Origem

O MDMA foi descoberto antes das anfetaminas ou dos alucinogéneos. Em 1912, os laboratórios alemães Merck isolaram acidentalmente o MDMA (MetileneDioxoMetaAnfetamina) e em 1914 patentearam-no como inibidor do apetite, o qual não chegou a ser comercializado. Só nos anos 50 é que, com fins experimentais, foi utilizado pela polícia em interrogatórios e em psicoterapia.

Nos anos 60 e 70 conseguiu grande popularidade entre a cultura underground californiana e entre os frequentadores de discotecas, o que levou à sua proibição em 1985. Foi baptizado com o nome de Ecstasy (XTC) pelos vendedores como uma manobra de marketing.

Na Europa, nos finais dos aos 80, o seu consumo aumentou, como se pode verificar, por exemplo, pelo número de pastilhas apreendidas pelas autoridades espanholas: 4.325 em 1989 e 645.000 em 1995. Este alargamento na Europa está também associado à queda do muro de Berlim e ao descontrolo político de alguns dos países do Leste europeu, onde a indústria farmacêutica está fortemente implantada. O Ecstasy foi inicialmente consumido em Ibiza e nos países do mediterrâneo, no contexto da noite e da música electrónica. O consumo espalhou-se, mais tarde, até à Inglaterra e Holanda, onde surge a nova cultura da rave entre os jovens.

Efeitos

Os primeiros efeitos surgem após 20-70 minutos, alcançando a fase de estabilidade em 2 horas. Diz-se que o MDMA pode combinar os efeitos da cannabis (aumento da sensibilidade sensorial e auditiva), os das anfetaminas (excitação e agitação) e ainda com os do álcool (desinibição e sociabilidade). Para além disso, pode oferecer uma forte sensação de amor ao próximo, de vontade de contacto físico e sexual.

O Ecstasy pode provocar uma sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da percepção de sensualidade, aumento da capacidade comunicativa, loquacidade, euforia, despreocupação, autoconfiança, expansão da perspectiva mental, incremento da consciência das emoções, diminuição da agressividade ou perda da noção de espaço.

A nível físico pode ocorrer trismo (contracção dos músculos da mandíbula), taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, cãibras ou dores musculares.

Os efeitos desaparecem 4 a 6 horas após o consumo. Podem ocorrer algumas consequências residuais nas 40 horas posteriores ao consumo.

Riscos

A longo prazo, o ecstasy pode provocar cansaço, esgotamento, sonolência, deterioração da personalidade, depressão, ansiedade, ataques de pânico, má disposição, letargia, psicose, dificuldade de concentração, irritação ou insónia. Estas consequências podem ainda ser acompanhadas de arritmias, morte súbita por colapso cardiovascular, acidente cérebro-vascular, hipertermia, hepatotoxicidade ou insuficiência renal aguda.

O consumo de ecstasy e a actividade física intensa (várias horas a dançar) pode provocar desidratação e o aumento da temperatura corporal (pode chegar a 42º C), o que por sua vez pode levar hemorragia interna. A desidratação e a hipertimia têm sido causa de várias mortes em raves. A hipertimia pode ser reconhecida pelos seguintes sinais: parar de transpirar, desorientação, vertigens, dores de cabeça, fadiga, cãibras ou desmaio. Como forma de precaução, aconselha-se a ingestão de água. No entanto, a ingestão excessiva de água pode também ser perigosa (a intoxicação de água pode ser fatal).

É de referir que esta droga é frequentemente falsificada e substâncias como as anfetaminas, a ketamina, o PCP, a cafeína ou medicamentos são vendidos com o nome de ecstasy.

Tolerância e Dependência

O desenvolvimento de tolerância pode ser favorecido pelo uso contínuo do ecstasy. A dependência psicológica pode verificar-se mas não existem dados conclusivos relativamente à dependência física.

publicado por cm30ativo às 14:28
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CRACK

Freebase, Pedra, Rock

Apresentação

A base livre (freebase) e o crack (rock, pedra) são duas drogas estimulantes quimicamente iguais. Ambas são derivadas da coca, no entanto o seu processo de preparação difere: a base livre é conseguida mediante o aquecimento de uma mistura de cloridrato de cocaína com éter. Quando o aquecimento é feito com bicarbonato de sódio, amoníaco e água, o produto final será o "crack", que possui este nome devido aos barulhos crepitantes dos resíduos de bicarbonato de sódio quando aquecidos. Esta forma de cocaína torna-se passível de ser fumada.

O efeito experimentado pelo consumidor depende sobretudo da velocidade com que a concentração no sangue aumenta e não propriamente do nível da concentração da substância. Assim sendo, a ingestão pelo fumo tem um efeito mais acentuado, dado que penetra com rapidez nos tecidos pulmonares, atingindo facilmente o coração e depois o cérebro. Quando inalada, a substância tem que penetrar a membrana mucosa que é algo grossa e depois circular no sangue até ao coração, passando depois pelos pulmões antes de atingir o cérebro. Esta viagem obriga a uma diluição considerável da droga. Pode ainda ser feita a aspiração dos vapores da combustão, recorrendo-se para tal a utensílios como cachimbos próprios, tubos de vidro, canetas esferográficas, papel de alumínio, etc.

São comercializadas sob a forma de pedras brancas ou amareladas ou bolinhas semelhantes a grãos de chumbo (125 ou 300 miligramas).

À semelhança da cocaína, pertencem ao grupo das substâncias simpático-miméticas indirectas, contribuindo para o aumento de neurotransmissores na fenda sináptica e para o estímulo das vias de neurotransmissão, nas quais a dopamina e noradrenalina estão implicadas. Não é conhecido algum uso terapêutico destas substâncias.

Origem

O consumo da chamada base livre iniciou-se nos anos 70 e atingiu grande popularidade nos Estados Unidos. No entanto, no final desta década, o seu uso decaiu em virtude do perigo inerente à elaboração do produto (o éter, implicado na produção da droga, é extremamente inflamável) e do seu preço elevado. Sendo assim, o consumo desta droga ficou circunscrito a um grupo reduzido de pessoas, que a produziam para consumo particular.

A partir da base livre e com a introdução de uma ligeira variação no processo de produção, surgiu o crack. Este, apesar de provocar efeitos semelhantes, é bastante mais simples de preparar do que a base livre. O aparecimento do crack é um fenómeno relativamente recente. É mencionado pela primeira vez no New York Times em 1985 e é encontrado em Inglaterra em 1987. Posteriormente, os media comparam o crack às pragas da Europa medieval.

Efeitos

Os efeitos destas substâncias são idênticos aos da cocaína, contudo como atingem o cérebro em poucos segundos, são mais rápidos e intensos. Apresentam uma duração de cerca de 5 a 10 minutos.

O indivíduo pode começar por sentir euforia, sensação de bem-estar intensa e excitação sexual. Contudo, os efeitos positivos poderão ser rapidamente substituídos por ardor nos olhos, secura na boca, palpitações, contracções musculares, dilatação das pupilas, dor de cabeça, depressão forte, irritabilidade, angústia, insónia e diminuição do apetite.

Riscos

Com o consumo destas substâncias o indivíduo pode experimentar insónias, agitação psicomotora, emagrecimento, hipertensão, arritmias cardíacas, indiferença sexual ou acessos crónicos de tosse. Como produzem um aumento acentuado da frequência cardíaca e da pressão sanguínea, poderão causar enfarte do miocárdio e hemorragias cerebrais. Adicionalmente, o consumo destas substâncias poderá ainda trazer outras complicações, frequentemente mortais, como infecções nos brônquios e paragens respiratórias.

Em termos psicológicos, pode provocar a destruturação da identidade da pessoa. Esta pode tornar-se mais agressiva, ter problemas a nível de auto-crítica e moral, dificuldades em estabelecer relações afectivas, desenvolver psicoses, paranóia, comportamento excessivamente anti-social, podendo inclusivamente orientar-se para a marginalidade e prostituição.

O consumo de crack por mulheres grávidas poderá acarretar problemas com o feto, atrasos no crescimento intrauterino e parto prematuro. Crianças nascidas nestas condições parecem apresentar problemas a nível comportamental, não conseguindo brincar nem falar como as outras crianças. Passam também por períodos em que parecem desligar-se do mundo.

Tolerância e Dependência

Apresentam um grande potencial de dependência. A tolerância é bastante elevada e desenvolve-se com facilidade.

Síndrome de Abstinência

Manifesta-se por insónia, fadiga, apatia e depressão grave.

publicado por cm30ativo às 14:27
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COGUMELOS MÁGICOS

Os cogumelos ou fungos, uma vez que não possuem clorofila, não se alimentam de luz solar como as outras plantas. Em alternativa, funcionam como parasitas de outras plantas e animais ou instalam-se em meios com matéria em decomposição.

Existem várias espécies diferentes de cogumelos psilocibinos, nome científico atribuído aos cogumelos que contêm Psilocibina e Psilocina (alcalóides activos). A psilocibina é quimicamente semelhante ao LSD e tem a denominação científica de orthophosphoryl-4-hydroxy-n-dimethyltryptamine. No que se refere a cogumelos psilocibinos encontramos espécies como Psilocybe mexicana, Psilocybe caerulescens, Psilocybe (ou Stropharia) cubensis, Pscilocybe wassoni, Stroparia cubensis, entre outras.

Os cogumelos psicoactivos são todos aqueles que contêm estes ou outro tipo de alcalóides capazes que afectar o Sistema Nervoso Central. Por exemplo, as espécies Amanita muscaria e Amanita pantherina são cogumelos psicoactivos mas não psilocibinos.

Os cogumelos mágicos, nome pelo qual é mais comummente conhecido este tipo de droga, são substâncias alucinogéneos ou psicadélicas. São geralmente ingeridos crus, secos, cozinhados ou em forma de chá (“Shroon Brew”), sendo que os mais consumidos são os Liberty Cad Mushroom. São uma droga sazonal dado que aparecem sobretudo no Outono, contudo podem ser secos e armazenados, sendo inclusivamente os cogumelos secos aqueles que têm efeitos mais intensos.

Após consumidos, os alcalóides dos cogumelos chegam ao cérebro e bloqueiam os efeitos da serotonina. Não foi encontrada informação sobre a utilização terapêutica dos cogumelos.

Origem

Os cogumelos alucinógenos eram usados no México, Guatemala e Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros. Os Maias utilizavam um fungo ao qual chamavam, na língua nahuátl, teonanácatl (a "carne de deus") há já 3500 anos. No seu território foram encontradas figuras de pedra com representações de cogumelos datadas de 1000 a.C. e 500 d.C. Em Oaxaca eram também chamados de nti-si-tho, sendo que nti é um diminuitivo de respeito e carinho e si-tho significa "o que brota".

As primeiras referências ao seu consumo foram encontradas em livros (1502), nos quais era mencionado o uso de cogumelos em rituais nas festas de coroação de Moctezuma, o último imperador Azteca. Os conquistadores espanhóis, não preparados para os efeitos da droga, assustaram-se e proibiram o uso de fungos alucinogéneos e a religião nativa. Foram também encontrados registos do médico do rei espanhol a relatar a ingestão de cogumelos pelos indígenas, por forma a induzir visões de todo o tipo, sendo estes muito apreciados em festas e banquetes. Após a conquista, o consumo de cogumelos com fins rituais e terapêuticos sobreviveu apenas na Serra de Oaxaca.

Provavelmente, o cogumelo alucinogéneo mais popular é o Amanita muscaria, descrito por Lewis Carroll no livro Alice no Pais das Maravilhas. Este cogumelo é usado há mais de 6000 anos, sendo, por vezes, confundido com variedades muito semelhantes mas letais. Os povos primitivos da Sibéria tinham o hábito de armazenar a urina de consumidores de Amanita, usando-a como droga alucinogénea. Isto verificava-se porque as substâncias alucinogéneas deste cogumelo permanecem intactas após a sua passagem pelo organismo.

Durante os anos 70, os cogumelos aparecem também na Europa, sendo inicialmente utilizados em sopa instantânea. Os genuínos cogumelos psilocibina secos só surgiram mais tarde.

O químico suiço Albert Hofmann que descobriu o LSD, foi também o primeiro a extrair psilocibina e psilocina dos cogumelos mágicos. A psilocibina, que é convertida em psilocina pelo organismo humano, é a responsável pelos efeitos alucinógenos da planta.

Efeitos

Os efeitos dos cogumelos parecem estar associados às condições psicológicas e emocionais do consumidor, assim como ao contexto em que esse consumo se verifica. São semelhantes ao LSD mas menos intensos e duradouros.

As primeiras reacções começam por ser de carácter físico: náuseas, dilatação das pupilas, aumento do pulso, da pressão sanguínea e da temperatura. Se ocorrer ansiedade e vertigens, estas deverão desaparecer no período de uma hora. Para além disso, o consumidor poderá sentir um aumento da sensibilidade perceptiva (cores mais intensas, percepção de detalhes) com distorções visuais e sinestesia ou mistura de sensações (os sons têm cor e as cores têm sons), acompanhadas de euforia, sensação de bem-estar, aumento da autoconfiança, grande desinibição e aumento do desejo sexual. Os efeitos alucinogéneos podem acarretar alguma desorientação, ligeira descoordenação motora, reacções paranóicas (bad trips), inabilidade para distinguir entre fantasia e realidade, pânico e depressão.

Os efeitos começam a surgir cerca de 25 a 30 minutos após a ingestão e podem durar até 6 horas.

Riscos

O consumo de cogumelos pode provocar dores no estômago, diarreia, náuseas e vómitos. Pode também piorar problemas a nível de doenças mentais ou mesmo despoletá-las.

Uma outra consequência desta droga poderão ser acidentes originados pela interpretação incorrecta da realidade.

Existem cogumelos venenosos que podem ser muito tóxicos ou até letais. A Amanita é uma droga muito perigosa, sendo actualmente responsável por 90% dos casos fatais de envenenamento por fungos. O uso prolongado desta espécie poderá levar à debilidade mental. Doses excessivas podem provocar delírios, convulsões, coma profundo e morte devido à paragem cardíaca.

Tolerância e Dependência

Os cogumelos não originam tolerância se os consumos forem espaçados (pelo menos 3 dias). Não provocam igualmente dependência física e o potencial de dependência psicológica é reduzido.

publicado por cm30ativo às 14:25
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COCAÍNA

Branca, Branquinha, Coca, Gulosa, Neve, Snow

Apresentação

A cocaína deriva da folha do arbusto da coca (Erytbroxylon Coca), do qual existem variedades como a boliviana (huanaco), a colombiana (novagranatense) ou a peruana (trujilense). A planta possui 0,5% a 1% de cocaína e pode ser produtiva por períodos de 30 ou 40 anos, com cerca de 4 a 5 colheitas por ano.

Esta substância possui propriedades estimulantes e é comercializada sob a forma de um pó branco cristalino, inodor, de sabor amargo e insolúvel na água, assumindo os nomes de rua de coca, branca, branquinha, gulosa, júlia, neve ou snow. O pó é conseguido mediante um processo de transformação das folhas da coca em pasta de cocaína e esta em cloridrato.

Regra geral, a cocaína é consumida por inalação, mas pode também ser absorvida pelas mucosas (por exemplo, esfregando as gengivas). Para além disso, pode ainda ser injectada pura ou misturada com outras drogas. Não é adequada para fumar. A cocaína é, por vezes, adulterada com o objectivo de aumentar o seu volume ou de potenciar os efeitos. Nestes casos, é-lhe misturada lactose, medicamentos (como procaína, lidocaína e benzocaína), estimulantes (como anfetaminas e cafeína) ou outras substâncias.

Pertence ao grupo de substâncias simpático-miméticas indirectas: provoca um aumento de neurotransmissores na fenda sináptica e um elevado estímulo das vias de neurotransmissão, nas quais a dopamina e a noradrenalina estão implicadas. É um estimulante do Sistema Nervoso Central, agindo sobre ele com efeito similar ao das anfetaminas. Esta substância actua especialmente nas áreas motoras, produzindo agitação intensa. A nível terapêutico, é usada como analgésico.

Origem

A arqueologia mostrou-nos que a utilização da folha da coca é já muito antiga, tendo sido encontrados vestígios do seu consumo no Equador e no Peru datados de 2500 A.C.. A planta Erythroxylon Coca tem origem na América do Sul, nas regiões altas dos Andes. Foram os índios bolivianos Aymara, conquistados pelos Incas no século X, que começaram a utilizar a palavra “coca” que significa “planta”. Nos séculos XII e XIII, a coca deu origem a inúmeros confrontos, até que os Incas, em 1315, conseguiram o seu monopólio. Para este povo, a coca era uma planta medicinal e sagrada, incluída, por isso, em rituais religiosos, profecias, casamentos, funerais e nos rituais de iniciações de jovens nobres (“haruaca”). No entanto, a sua utilização não era generalizada, sendo apenas acessível à elite Inca.

Com a descoberta da América, começam a surgir atitudes contraditórias face à coca. Se por um lado a Igreja proibe a sua mastigação, com o intuito de abolir um vício pagão, por outro, quando percebe os benefícios que poderia retirar da manutenção do seu consumo, permite que os índios trabalhassem sob o seu efeito. Um édito de Filipe II de Espanha legaliza o uso da coca, generalizando-se o consumo a toda a população nativa. A coca chega mesmo a tornar-se um substituto da comida. Neste seguimento, multiplicam-se as referências ao consumo de coca por viajantes e cronistas, que lhe atribuem benefícios medicinais e estimulantes. Apesar disso, os espanhóis não exploram comercialmente este produto, ao contrário do que aconteceu com o tabaco e o quinino.

Em 1580, Monardes descreve a planta da coca pela primeira vez. No entanto, esta continua a ser exclusiva da América do Sul. Só em 1750 é que são enviadas as primeiras plantas para a Europa pelo botânico Joseph Tussie.

Em 1858, Nieman e Wolter isolam o princípio activo responsável pelos efeitos da planta, a cocaína, tendo o interesse por esta substância aumentado a partir desta altura. Foi inicialmente usada como medicamento para a astenia e diarreia num regimento alpino por Aschenbrant, um médico militar Baviero. Foi rapidamente comercializada em grande escala, passando a ser constituinte de vários produtos como o vinho tónico de Angelo Mariani (Vin Mariani), remédios caseiros ou mesmo da Coca-Cola (o que se verificou durante 17 anos). A cocaína passou a ser o remédio de eleição para quase todas as doenças. Personalidades como Sir Arthur Conan Doyle (criador do famoso detetive Sherlock Holmes), Júlio Verne, Thomas Edison, o Papa Leão XIII, Rei William III, Alexandre Dumas, R. L. Stevenson e por aí adiante, tornam-se seus convictos defensores.

Freud, após a ter experimentado e feito a revisão da literatura disponível sobre o assunto, contribui para provar a sua função de anestésico local, recomendando-a inclusivamente para problemas como a depressão, perturbações digestivas, asma, estimulante, afrodisíaco, etc. Á medida que se vão observando os efeitos negativos do consumo de cocaína e após a publicação sobre "heroinomania" de Louis Lewin, Freud (1885) reformula a sua posição e começa a trabalhar o conceito de toxicomania, publicando também os "apontamentos sobre a ânsia de cocaína". Entre 1885 e 1890, a literatura médica apresenta mais de 400 relatos de perturbações físicas e psíquicas devido ao consumo desta subtância. Dado que muitos deles se referiam a pessoas a quem tinha sido administrada cocaína como antídoto para a morfinomania, as duas drogas (cocaína e morfina), apesar de possuírem efeitos muito diferentes, começam a ser confundidas e regulamentadas, a nível internacional, de igual forma.

O recurso à cocaína como anestésico local em cirurgia ocular e otorrinolaringológica generalizou-se, tendo sido, mais tarde, substituída por equivalentes mais seguros.

De uma forma mais acentuada nos anos 20, verificou-se nos países ocidentais uma grande surto no consumo de cocaína por aspiração nasal. Foram necessárias medidas de controlo internacionais e a Segunda Guerra Mundial para que a magnitude desta epidemia começasse a sofrer uma redução. Até aos anos 70, o consumo manteve-se bastante marginal, altura a partir da qual a cocaína começou a ser associada à imagem de êxito social (nos Estados Unidos). Tal facto, voltou a acentuar o consumo, que se generalizou às diferentes classes sociais e teve forte aceitação entre consumidores de outras drogas como a heroína, álcool ou anfetaminas, tornando-se num grave problema de saúde pública.

No nosso país, os anos 80 marcam o aparecimento da cocaína no mercado negro. Inicialmente uma droga de elite, rapidamente sofreu uma banalização e generalização do seu consumo.

Efeitos

A cocaína tem uma acção intensa mas breve (dura cerca de 30 minutos), sendo que os seus efeitos são semelhantes aos das anfetaminas. Quando consumida em doses moderadas, a cocaína pode provocar ausência de fadiga, sono e fome. Para além disso, o indivíduo poderá sentir exaltação, euforia, intenso bem-estar e maior segurança em si mesmo, nas suas competências e capacidades. Os consumidores de cocaína costumam ser conhecidos pelo seu comportamento egoísta, arrogante e prepotente.

Ocasionalmente poderá ter efeitos afrodisíacos, aumentando o desejo sexual e demorando a ejaculação. Contudo, pode também dificultar a erecção.

A nível físico, pode provocar aceleração do ritmo cardíaco, aumento da tensão arterial, aumento da temperatura corporal e da sudação, tremores ou convulsões.

As doses elevadas geralmente provocam insónia, agitação, ansiedade intensa, agressividade, visões e alucinações (as típicas são as tácteis, como a sensação de ter formigas, insectos ou cobras imaginárias debaixo da pele). Ao bem-estar inicial segue-se geralmente cansaço, apatia, irritabilidade e comportamento impulsivo.

Riscos

Os consumidores de cocaína podem sofrer, a longo prazo, de irritabilidade, crises de ansiedade e pânico, apatia sexual ou impotência, transtornos alimentares (bulimia e anorexia nervosa), diminuição da memória, da capacidade ou da concentração. Podem ainda experimentar a chamada "psicose da cocaína", similar à psicose esquizofrénica, com ideias delirantes de tipo persecutório e alucinações auditivas e/ou visuais. A nível neurológico podem sofrer-se várias alterações como cefaleias ou acidentes vasculares como o enfarte cerebral. São ainda possíveis as cardiopatias (arritmias) e problemas respiratórios (dispneia ou dificuldade para respirar, perfuração do tabique nasal).

Durante a gravidez, o consumo de cocaína pode ter consequências graves sobre o feto (aumento da mortalidade perinatal, aborto e alterações nervosas no recém nascido).

A quantidade necessária para provocar uma overdose é variável de pessoa para pessoa e depende bastante do grau de pureza da droga e da forma de administração (as probabilidades aumentam quando a substância é injectada na corrente sanguínea); a dose fatal encontra-se entre as 0,2 e 1,5 gramas de cocaína pura. As overdoses podem causar ataques cardíacos ou paragens respiratórias. Segundo dados do "NIDA", os internamentos de urgência por overdoses de cocaína fumada aumentaram entre 1987 e 1990 em mais de 700%.

Tolerância e Dependência

A tolerância inicial desenvolve-se rapidamente quando o consumo é contínuo. Após a fase inicial, a tolerância não parece acentuar-se. De facto, os consumidores parecem experimentar o inverso: experienciam os efeitos da droga mais intensamente. Por vezes, a tolerância não é óbvia devido à mistura de cocaína com outras drogas.

A cocaína não produz dependência física, no entanto é a droga com o maior potencial de dependência psicológica (razão pela qual a chamam de “gulosa”). A curta duração dos seus efeitos, induz facilmente ao consumo compulsivo.

Síndrome de Abstinência

O síndrome de abstinência não apresenta sinais físicos típicos mas tem alterações psicológicas notáveis: hiper-sonolência, apatia, depressão, ideação suicida, ansiedade, agitação, irritabilidade, confusão, surtos psicóticos e intenso desejo de consumo.

publicado por cm30ativo às 14:24
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CANABINÓIDES

Chamon, Charro, Chocolate, Erva, Ganza, Hax, Hash, Liamba

Apresentação

A cannabis, a mais popular das drogas ilegais, pode ser conhecida por diferentes nomes de rua como charro, chamon, liamba, erva, chocolate, tablete, taco, curro, ganza, hax, hash, maconha, óleo (óleo de haxixe), boi ou cânhamo. Os canabinóides são derivados da planta Cannabis Sativa e são considerados drogas psicadélicas (leves), alucinogéneas ou depressoras.

Existem três formas de preparação:

  • "marijuana ou erva" - preparada a partir das folhas secas, flores e pequenos troncos da Cannabis Sativa. Provém de várias “castas”, sendo a mais forte o Skunk (quanto mais forte, maior a quantidade de THC, a substância que provoca os efeitos).
  • "haxixe" – preparado a partir da resina da planta fêmea, a qual é transformada numa barra de cor castanha, com o nome coloquial de "chamom". É potencialmente mais tóxico do que a marijuana, dado que o seu conteúdo em THC (até 20%) é superior ao desta (de 5% a 10%). Os tipos de resina ou haxixe mais comuns são o marroquino, o libanês e o pólen.
  • "óleo de cannabis ou óleo de haxixe" – preparado a partir da mistura da resina com um dissolvente (acetona, álcool ou gasolina), que se evapora em grande medida e dá lugar a uma mistura viscosa, cujas quantidades em THC são muito elevadas (até 85%).

Estas substâncias são principalmente consumidas por ingestão e inalação. Quando fumada, a cannabis é misturada com tabaco em cigarros feitos manualmente ou em cachimbos. Em algumas culturas africanas ou do Caribe, bebem-se tisanas feitas com esta droga e água. Pode também ser preparada sob a forma de bolos (neste caso os seus efeitos são intensificados).

Apesar de ser principalmente usada para fins recreativos e sociais, terapeuticamente podem ser utilizada como antiemético oral para tratar as náuseas provocadas pela quimioterapia ou como relaxante.

A substância activa (delta9-tetrahidrocanabinol ou “THC”) é responsável por quase todos os efeitos característicos destas substâncias. As cannabináceas são absorvidas pelo pulmão ou pelo tracto gastrointestinal com rapidez, sendo depois assimiladas pelas gorduras do organismo, libertando-se no plasma. No Sistema Nervoso Central, o THC actua sobre um receptor cerebral específico, sendo a maior concentração nos gânglios basais, hipocampo e cerebelo.

Origem

Os canabinóides derivam da planta Cannabis Sativa que é originária da zona do Mar Negro e do Mar Cáspio. Esta planta é utilizada há 12 000 anos como fonte de fibras para vestuário e cordoaria.

A primeira referência encontrada relativa a esta planta data de 2 737 anos A.C. e foi encontrada na farmacopeia do imperador Shen Nuna, sendo recomendada para tratar a malária, dores reumáticas e desordens femininas. Nos textos sagrados do hinduísmo, em particular no Atharva Veda (3.000 anos A.C.), existem também referências a esta planta. Foi sempre bastante popular no meio médico e farmacológico, embora as suas indicações terapêuticas sejam um pouco confusas. Na altura, parecia existir a crença de que a planta ajudava a diminuir o mal-estar provocado por "desarranjos" cíclicos ou crónicos. Até o Velho Testamento faz referência a esta planta (com o nome de kalamo) quando Salomão canta e louva as suas propriedades.

Em termos de consumo psicoactivo, é também uma das primeiras drogas com este tipo de evidências. A “História das Guerras Médicas” de Heródoto relata como os Escitas (povo da zona de origem da Cannabis Sativa) consumiam a planta para se intoxicarem (2.500 A.C.). No século XII, o Santo Ofício acusou qualquer pessoa que usasse cannabis de bruxaria, acusando inclusivamente Joana D’Arc, em 1430, de usar várias ervas para “ouvir vozes”. Nos séculos XII e XIII verifica-se um alargamento da sua utilização no mundo islâmico. No Egipto, existia tolerância em relação ao seu consumo, tendo este a função de diferenciar os integrados e os excluídos da sociedade, como foi descrito nas "Mil e uma Noites". A campanha de Napoleão no Oriente contribuiu também para a expansão desta droga, levando-a até aos meios letrados europeus.

A Cannabis Sativa foi introduzida nas Américas pelos espanhóis aquando das descobertas, tendo sido plantada no Chile no final do século XVI. Contudo, existem também teorias que defendem que esta planta existia no continente americano muito antes da sua descoberta. O rei Jaime I incentivou os colonizadores britânicos na América do Norte a cultivar a planta para conseguirem materiais para produção de cordas e velas para os navios da Armada Real. Mais tarde, durante a 2ª Guerra Mundial, o Departamento da Agricultura voltou a incentivar a plantação para produzir fibras para a indústria têxtil.

No século XIX, intelectuais e escritores europeus difundem no Ocidente o uso recreativo da Cannabis Sativa, enquanto que o médico particular da rainha Vitória da Inglaterra, após ter estudo a planta durante cerca de 30 anos, recomenda-a para casos de enxaqueca, insónia senil, depressões, estados epilépticos, cólicas e ataques de asma. De facto, durante todo este século, centenas de estudos e artigos foram produzidos a propósito das propriedades medicinais desta planta.

Nos anos 20, durante a Lei Seca dos Estados Unidos, assistiu-se a um aumento do consumo da cannabis como substituto do álcool, chegando a existir 500 "casas de haxixe" em Nova York. Dez anos mais tarde, o álcool volta a ser legalizado e a cannabis proibida. Para a proibição da droga, em muito contribuíram as acções de Anslinger que liderava o movimento de proibição ao álcool. Através dos seus filmes de propaganda, conseguiu veicular a ideia de que esta substância poderia tornar anjos em demónios.

Até ao início dos anos 60, o uso de cannabis estava restrito a um grupo reduzido de jovens estudantes e artistas. A partir desta altura tem um rápido crescimento, atingindo o seu auge com os hippies, que adoptaram esta droga como o seu principal símbolo. No final dos anos 70, este mercado era responsabilidade de vários pequenos importadores, existindo pouco intermediários entre esses e os consumidores, situação que rapidamente foi modificada devido à influência da proibição. O aumento da procura teve como consequência a apropriação do mercado grossista pelo sector criminal. Após este rápido crescimento, surgiu uma época de estabilização da procura, apesar de nos últimos anos ter surgido nova situação de crescimento rápido na Europa e Estados Unidos.

O consumo de cannabis, embora ilegal, é tolerado na Holanda desde 1976, sendo vendida nos chamados “Coffee Shops” livremente, desde que se cumpram determinadas restrições. Neste país houve um ligeiro aumento do número de consumidores, depois de vários anos com um número estável. Contudo, a Holanda mantém um número de utilizadores de cannabis na média europeia, abaixo do número de consumidores noutros paises europeus com políticas mais proibicionistas. Nos Estados Unidos, país com políticas extremamente duras em relação às drogas, o consumo não tem parado de aumentar.

Actualmente, os principais centros de produção estão a deixar de se localizar apenas no sul devido à maior tolerância e mudanças culturais dos países do norte. O principal produtor são os Estados Unidos, em particular alguns estados o norte e centro do país. Dado a sua fácil adaptação a qualquer clima e à acção do homem, a Cannabis Sativa espalhou-se por todo o planeta.

Efeitos

Os canabinóides podem provocar prazer, bem-estar, euforia, intensificação da consciência sensorial, maior sensibilidade aos estímulos externos, ideias paranóides, confusão de pensamentos, sonolência, relaxamento, instabilidade no andar, alteração da memória imediata, diminuição da capacidade para a realização de tarefas que requeiram operações múltiplas e variadas, lentificação da capacidade de reacção, défice na aptidão motora ou interferência na capacidade de condução de veículos e outras máquinas.

Quando ingerida em lugares desconhecidos com pessoas com pouca experiência, esta droga pode ter efeitos negativos como sintomas de ansiedade e ataques de pânico, aos quais se podem acrescer sintomas de depressão.

Em termos físicos pode ter consequências como o aumento da pressão arterial sistólica quando se está deitado e diminuição da mesma quando se está de pé. Aumento da frequência cardíaca, congestão dos vasos conjuntivais (olhos vermelhos), diminuição da pressão intra-ocular, foto-fobia, dilatação dos brônquios, tosse ou diminuição do lacrimejo.

Estes efeitos surgem repentinamente e persistem durante 2 a 4 horas, variando consoante as doses, da potência da droga, da maneira como é consumida, do humor do consumidor e das experiências anteriores.

Riscos

Doses elevados podem provocar ansiedade, alucinações, ilusões e sensações de paranóia, resultando em sintomas de uma psicose tóxica.

O consumo crónico pode também implicar o empobrecimento da personalidade que pode manifestar-se através de apatia, deterioração dos hábitos pessoais, isolamento, passividade e tendência para a distracção. De destacar é o “síndroma amotivacional” que se faz acompanhar de uma diminuição da capacidade de concentração e memorização.

O consumo de canabinóides pode colocar o indivíduo em risco de desenvolver bronquite e asma. Para além disso, risco de cancro do pulmão aumenta, uma vez que o fumo é inalado mais profundamente. A nível endócrino, salienta-se a possível diminuição da testosterona, inibição reversível da espermatogénese no homem e a supressão da LH plasmática, que pode originar ciclos anovulatórios na mulher.

As mulheres com consumos crónicos podem vir a ter filhos com problemas de comportamento.

Torna-se perigoso misturar cannabis com álcool dado que a mistura pode provocar um colapso temporário e vómitos.

A possibilidade de overdose não se coloca. Seria necessário ingerir ou consumir doses astronómicas para causar overdose..

Ainda não são completamente conhecidas as consequências que a cannabis poderá ter para a saúde dos seus consumidores.

Tolerância e Dependência

A tolerância ocorre apenas em grandes consumidores e a dependência é também reduzida.

Síndrome de Abstinência

A síndrome de abstinência é leve e pode manifestar-se através de ansiedade, irritação, transpiração, tremores ou dores musculares.

publicado por cm30ativo às 14:22
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BENZODIAZEPINAS


Apresentação

As benzodiazepinas são psicofármacos com efeitos depressores. São produzidas por síntese química e podem assumir a forma de comprimidos, cápsulas ou, menos frequentemente, a de ampolas ou supositórios. Costumam ser conhecidas pelos nomes dos seus fabricantes, como por exemplo valium, rohipnol, buprex, mandrax, artane, etc. A via de administração mais habitual é a oral, sendo que a intravenosa é também comum.

São utilizadas com fins terapêuticos no tratamento da ansiedade e insónias.

Facilitam a acção do ácido gamma-aminobutírico (GABA) sobre os seus receptores. O GABA é um neurotransmissor inibidor em quase todos os núcleos do Sistema Nervoso Central. Tem efeitos a nível ansiolítico, relaxante, anti-convulsivo ou hipnótico. Abranda as mensagens de e para o cérebro, incluindo as respostas físicas, mentais e emocionais.

Origem

Em 1955, Sternbach fez a síntese da primeira benzodiazepina, mas só mais tarde, em 1957, é que Kendall descobre o efeito tranquilizante do oxidoclorodiazepam. A partir desta altura foi sintetizado um grande número de substâncias semelhantes - diazepam (Valium), o flunitrazepam (Rophynol), o oxazepam (Serenal) e o lorazepam (Temesta) -, sendo que os compostos incluídos nesta família ultrapassam já os 2000. Destes, apenas 35 são utilizados com fins terapêuticos no tratamento de ansiedade e insónias.

Tornaram-se os fármacos mais receitados para estes problemas a partir dos anos 60, tendo vindo a substituir os barbitúricos devido à sua maior segurança e menores efeitos secundários. Actualmente, constituem o grupo de fármacos mais receitado em todo o mundo.

Efeitos

Os seus efeitos ansiolíticos, provocam no indivíduo um estado de relaxamento muscular, sonolência, alívio da tensão e ansiedade, cansaço e letargia que podem ser acompanhados por desinibição, loquacidade, excitação, agressividade, linguagem afectada, sentimentos de isolamento ou depressão.

Doses elevadas poderão provocar náuseas, aturdimento, confusão, diminuição da coordenação psicomotora, sono, sedação excessiva, perdas de memória, lentificação do pensamento ou instabilidade emocional.

Riscos

Quando combinadas com o álcool, as benzodiazepinas poderão ter o seu efeito acentuado, sendo que esta combinação pode provocar uma overdose. No entanto, as benzodiazepinas quando consumidas de forma isolada possuem uma toxicidade muito baixa e, consequentemente, uma grande margem de segurança, o que reduz o risco de morte. De facto, as tentativas de suicído com benzodiazepinas não costumam ser bem sucedidas, excepto quando são combinadas com outras substâncias como o álcool.

Não é aconselhado o uso destas substâncias durante a gravidez e a lactação.

Tolerância e Dependência

Existe tolerância às benzodiazepinas mas esta não é muito acentuada. Quando consumidas durante vários meses, esta tolerância aumenta, provocando dependência física e psicológica.

Síndrome de Abstinência

Para não ser perigosa, a interrupção do consumo deve ser efectuada gradualmente. A síndrome de abstinência varia consoante a duração da acção das benzodiazepinas e pode manifestar-se pelo aumento da ansiedade, insónia, irritabilidade, náuseas, dor de cabeça, tensão muscular, tremores, palpitações ou disforia.

Em casos mais graves podem ocorrer convulsões, quadros confusos, despersonalização, diminuição do limiar de percepção dos estímulos sensoriais, psicose, etc.

publicado por cm30ativo às 14:21
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BARBITÚRICUS



Apresentação

Os barbitúricos são depressores derivados do barbital. Podem ser organizados em três categorias:

  • Drogas de longa duração (8 a 16 horas) – tratamento de epilepsia, controle de úlceras pépticas e pressão sanguínea alta.
  • Drogas de média duração (4 a 6 horas) – pílulas para dormir.
  • Drogas de curta duração (breve) – anestésicos ou sedativos.

Estas substâncias afectam o receptor do neurotransmissor GABA, induzindo a inibição da actividade do Sistema Nervoso Central e reduzindo, consequentemente, as funções de alguns sistemas orgânicos. Tem efeitos sedativos, anticonvulsivos e relaxantes, sendo por isso utilizados em tratamento de ansiedade e agitação.

São encontrados em forma de comprimidos ou cápsulas e podem ser consumidos por via oral ou intravenosa.

Origem

O ácido barbitúrico deve o seu nome a Santa Bárbara, uma vez que foi sintetizado no dia da mesma por Von Baeger (1863). Desde essa altura que foram e têm sido investigados mais de 2500 derivados do ácido. A partir de 1903 começou a vender-se o barbital (o primeiro barbitúrico hipno-indutor), que tem o nome comercial de Veronal (alusão a Verona, a cidade italiana mais tranquila). Em 1912 surge o fenobarbital com o nome comercial de Luminal, que apresenta uma acção mais prolongada. Este fármaco teve ampla aceitação clínica, sendo utilizado actualmente como um anti-convulsivo eficaz.

Os barbitúricos, juntamente com os opiáceos, foram durante bastante tempo as substâncias usadas para tranquilizar a agitação e ansiedade de doentes com problemas psiquiátricos. Este facto contribuiu para o alargamento da sua utilização clínica e, consequentemente, para o seu consumo abusivo, que se veio a tornar num problema social e sanitário em vários países. A Organização Mundial de Saúde, desde de 1956, fez vários alertas para as consequências do abuso de barbitúricos, mas apenas em 1971, com a Convenção de Viena, é que se iniciou o controlo dos mesmos. Estes fármacos passaram a ser comercializados apenas com receita medica para, progressivamente, serem retirados da composição de vários medicamentos. Devido ao esforço intenso de restrição dos anos 80, nos anos 90 o consumo decaiu fortemente em vários países, tendo inclusivamente desaparecido do mercado negro, com excepção dos que eram desviados ou roubados dos laboratórios farmacêuticos.

Em Portugal, deparamo-nos com um crescimento exponencial, o qual é agravado pelo facto do consumo de barbitúricos ser frequentemente associado ao de benzodiazepinas.

Efeitos

Quando consumidos em doses fracas podem provocar sensações de tranquilidade, relaxamento, conciliar o sono, diminuir levemente a tensão arterial e a frequência cardíaca, provocar falta de coordenação motora, produzir perturbação da consciência e, ocasionalmente, euforia.

As quantidades mais elevadas já podem diminuir os reflexos, diminuir a memória e a atenção, modificar o humor, diminuir a afectividade, debilitar e acelerar o ritmo cardíaco (pulso), dilatar as pupilas e provocar lentidão na respiração. Nestes casos é possível atingir o estado de coma e a morte.

Riscos

Nos casos de consumo prolongado poderão surgir transtornos como anemia, hepatite, depressão, descoordenação motora, entorpecimento da fala, etc. É frequente os consumidores crónicos apresentarem irritabilidade e agressividade, para além de letargia, confusão e falta de controlo emocional (choro). A nível neurológico poderá surgir nistagmia, disartria e ataxia cerebelar.

Torna-se particularmente perigoso misturar barbitúricos com álcool, o que pode ser letal. Por sua vez, a mistura de barbitúricos com anfetaminas é considerada uma das formas mais perigosas de abuso de substâncias.

Apesar de terem várias aplicações na medicina, os barbitúricos não atenuam dores severas. Pelo contrário, a hiperaugesia ou o aumenta da reacção à dor pode verificar-se quando o indivíduo está sob o efeito destas substâncias.

Um consumo de algumas semanas pode levar à perda do poder hipnótico dos fármacos. Assim, os barbitúricos podem não só deixar de ser eficazes como pílulas para dormir, como passar a perturbar o sono, em especial o período do sono em que ocorrem os sonhos, o que poderá provocar consequências a nível psicológico.

Quando dissolvidos em água e injectados na veia podem provocar abcessos, feridas graves, gangrena, etc.

O uso de barbitúricos deverá ser evitado por mulheres grávidas.

Tolerância e Dependência

O organismo pode adquirir tolerância, sendo esta mais reduzida do que a que ocorre com os opiáceos, o que aumenta as probabilidades de overdose. Existe dependência física e psicológica. Verifica-se uma tolerância cruzada com outros depressores do Sistema Nervoso Central, entre os quais o álcool e as benzodiazepinas.

Síndrome de Abstinência

Em casos crónicos, o síndrome de abstinência pode durar até duas semanas, sendo que ao longo deste período os sintomas vão sofrendo uma intensificação. O indivíduo pode sentir perda de apetite, ansiedade, insónia, transpiração, agitação, hiperatividade, tremores, convulsões, confusão, alucinações fortes, paranóia, desorientação no tempo e espaço, náuseas, vertigens, cãibras abdominais, aumento da temperatura e da frequência cardíaca e risco de vida.

Em casos extremos poderá ainda ocorrer delirium tremens semelhante ao das crises alcoólicas, podendo traduzir-se em estados psicóticos, exaustão, colapso cardiovascular, falha dos rins e morte.

publicado por cm30ativo às 14:20
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ANFETAMINAS

Anfes, Cristal, Speed

Apresentação

As anfetaminas são substâncias de origem sintética e com efeitos estimulantes. São frequentemente chamadas de speed, cristal ou anfes. As anfetaminas, propriamente ditas, são a dextroanfetamina e a metanfetamina.

Quando estão em estado puro têm o aspecto de cristais amarelados com sabor amargo. No entanto podem também ser encontradas sob a forma de cápsulas, comprimidos, pó (geralmente branco, mas também pode ser amarelo ou rosa), tabletes ou líquido. As anfetaminas, quando vendidas ilegalmente, podem ser misturadas com outras substâncias, tornando-as bastante perigosas. São, por vezes, chamadas de droga “suja”, dado que o seu grau de pureza pode ser de apenas 5%.

São geralmente consumidas por via oral, intravenosa (diluídas em água), fumadas ou aspiradas (em pó). A forma menos prejudicial e consumir anfetaminas é engolindo-as (não misturadas com álcool). A inalação danifica as mucosas do nariz e injectar é a forma mais perigosa de usar esta ou qualquer outra droga, dado que aumenta o risco de overdose e de problemas físicos ou contágio de doenças.

As anfetaminas estimulam o Sistema Nervoso, actuando na noroadrenalina, um neurotransmissor. Os sistemas dopaminérgicos e serotonérgicos são também afectados. Imitam os efeitos da adrenalina e noradrenalina – permitem ao corpo efectuar actividades físicas em situações de stress.

Têm sido principalmente utilizadas para tratamento da obesidade, uma vez que provocam perda de apetite. Foram também bastante utilizadas para tratar depressão, epilepsia, Parkinson, narcolepsia e danos cerebrais em crianças. Existem vários produtos à venda no mercado: Benzedrine, Bifetamina, Dexedrine, Dexamil, Methedrine, Desoxyn, Desbutal, Obedrin e Amphaplex.

Origem

Apesar da planta Éfedra ser utilizada na medicina chinesa, como anti-asmático, desde tempos remotos, a sua utilização na medicina ocidental era nula. O isolamento e estudo da efedrina por Chen e Schmidt surge apenas em 1926, abrindo as portas para a produção de anfetaminas. Os anos 30 foram particularmente ricos em ensaios clínicos neste âmbito, marcando-se em 1938 o início da comercialização da metanfetamina. Inicialmente as anfetaminas foram fármacos facilmente prescritos, utilizados para o tratamento da narcolepsia, obesidade, doença de Parkinson, asma, etc.

Durante a Segunda Guerra Mundial, foram administradas de forma maciça aos soldados (tanto aliados como das potências do Eixo) para combater a fadiga, reforçar a resistência, elevar o moral e manter o estado de alerta. A produção de anfetaminas em série para dar resposta aos pilotos da Luftwaffe (a força aérea de Hitler), originou grandes excedentes que acabaram por provocar uma epidemia anfetamínica no Japão. A droga era cedida a operários fabris japoneses como forma de eliminar a sonolência e embalar o espírito, o que acaba por provocar um aumento de 500 000 viciados neste país no pós-guerra.

Finda a guerra, começaram a ser descobertas as consequências do consumo regular. Como consequência, iniciam-se as tentativas de restrição, nomeadamente no Japão, enquanto que outros países adoptam políticas de tolerância.

Na década de 50, os militares norte americanos em serviço no Japão e Coreia começam a utilizar uma mistura injectável de anfetamina e heroína, à qual chamam speedball.

Nos anos 60 verifica-se um aumento no consumo de anfetaminas, as quais, apesar de serem produzidas de forma legal, eram obtidas por meios menos lícitos. Em 1965, ocorre nova epidemia anfetamínica na Suécia concomitante com o fornecimento gratuito da droga pelo serviço nacional de saúde; ela foi tornada ilegal pouco tempo depois.

Quando era uma droga legal, tornou-se bastante popular entre os camionistas e entre o pessoal que trabalhava no negócio dos aprovisionamentos devido à suas propriedades estimulantes. Estes grupos que usavam anfetaminas para fins “profissionais”, isto é, com o objectivo de os ajudar a cumprir as suas tarefas, quer elas fossem conduzir muitas horas seguidas ou permanecer a noite sem dormir, conseguiam manter um rigoroso controlo em relação ao seu consumo. Nos anos 70 começaram a ser muito procuradas pelas classes trabalhadoras mais jovens, tendo-se perdido um pouco do referido controlo. É nesta altura que surgem os chamados "speed freeks", indivíduos que ficam vários dias acordados sob o efeito de anfetaminas, mas com aspecto debilitado devido à redução do apetite.

Curiosamente, esta droga não foi muito bem acolhida entre os hippies como é visível em slogans como “speed kills”. O seu uso permaneceu restrito na Holanda, ao contrário do Japão ou Escandinávia.

No contexto do aumento do consumo desta substância, o turismo e a sua massificação desempenham um papel bastante importante, dado que facilitaram aos indivíduos do norte da Europa o acesso a esta droga, a qual era pouco controlada nos países do sul.

A Convenção de Viena em 1971 marcou o aumento do controlo das anfetaminas. Foi nesta altura que foram sendo retirados do mercado os produtos farmacêuticos que continham anfetaminas, chegando mesmo à sua supressão em alguns países. Consequentemente, nos anos 80 floresce o mercado negro de produção ilegal.

Em Portugal, alguns fármacos foram muito consumidos e objecto de abuso de natureza toxicómana, tendo estes sido retirados do mercado. Na segunda metade dos anos 80 e princípio dos anos 90, o Dinintel foi muito procurado, chegando alguns toxicodependentes a consumir mais de 50 cápsulas por dia; este fármaco foi reclassificado. No nosso país não existem actualmente anfetaminas puras no mercado lícito e são difíceis de encontrar no ilícito.

Nos últimos anos, o consumo de anfetaminas aumentou significativamente na Europa, principalmente associado à “dance culture”.

Efeitos

O consumo de anfetaminas pode provocar hiper-actividade e uma grande necessidade de movimento, às quais pode associar-se o aumento da atenção e concentração (daí o seu uso por estudantes). Paralelamente, a pessoa pode perder o sono e a fome. O estado de excitação nervosa, euforia, loquacidade e aumento do grau de confiança, pode resultar numa diminuição da auto-crítica.

No entanto, os efeitos positivos transformam-se em negativos com alguma rapidez, podendo a pessoa experimentar fadiga, depressão, apatia ou agressividade (ocasionalmente). Os efeitos duram entre 6 a 12 horas.

Riscos

O consumo de anfetaminas pode provocar sede, transpiração, desidratação, diarreia, taquicardia, aumento da tensão arterial, náuseas, má disposição, dor de cabeça, tonturas, vertigens, sono conturbado e pouco reparador. São frequentes tiques exagerados e anormais da mandíbula ou movimentos estereotipados. Nos casos de perda de apetite devido ao uso constante de anfetaminas, poderá ocorrer o risco de desenvolvimento de uma anorexia nervosa, desnutrição e até morte.

O consumo crónico pode conduzir a uma acentuada perda de peso e exaustão, redução da resistência às infecções, testículos volumosos e doridos, tremores, ataxia, perturbações no ritmo cardíaco, dores nos músculos e nas articulações. Pode ainda ocorrer falha súbita no coração, por exemplo no caso de atletas dopados.

É possível a ocorrência de uma reacção tóxica no organismo - psicose anfetamínica – com duração variável (até algumas semanas), a qual se caracteriza por irritabilidade, hiper-excitabilidade, insónia, tremores, alucinações e até a morte, em casos extremos. É confundida frequentemente com esquizofrenia.

A sobredosagem pode provocar inquietação, alucinações, aumento da temperatura corporal, taquicardia, náuseas, vómitos, cãibras no abdómen, fortes dores no peito, insuficiência respiratória e cianose, aumento da circulação sanguínea, dificuldade de micção, perda de consciência, convulsões e morte.

Pessoas com problemas cardíacos, tensão alta, doença mental, ansiedade e ataques de pânico ou que tomam drogas de prescrição médica como os IMO (inibidores das monoaminooxidases), betabloqueadores ou anti-depressivos, correm maiores riscos quando tomam anfetaminas.

Tolerância e Dependência

A tolerância pode ser rapidamente desenvolvida e é geralmente grande. Não ocorre uma real dependência física mas existe dependência psicológica. Nos casos de consumo continuado (speed run), que resultam em grande exaustão e depressão, estes efeitos poderão ser contrariados pela retoma do consumo, criando uma espécie de imitação de dependência física.

Síndrome de Abstinência

Os sintomas não são muito intensos. Poderá notar-se letargia, fadiga, apatia, sonolência, insónia ou hipersónia, depressão, dores musculares. A irritabilidade, alterações do sono e ideias suicidas, podem persistir durante meses.

publicado por cm30ativo às 14:19
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ALCÓOL


Apresentação

O álcool é um líquido incolor produzido a partir de cereais, raízes e frutos. Pode ser obtido mediante a fermentação destes produtos, atingindo concentrações que variam entre 5 e 20% (cerveja, vinho, sidra) ou por destilação e/ou adição de álcool resultante de destilação, o que aumenta a concentração etílica até 40% (aguardente, licor, gin, whisky, vodka, rum, genebra, vinhos espirituosos).

O nome químico do álcool é etanol, substância com a forma química de CH3 CH2 OH. O álcool pode ser associado a outros elementos químicos, responsáveis pela cor, sabor, odor e outras características da bebida. A sua comercialização e consumo são legais.

O álcool é consumido por via oral e é um desinibidor e depressor. Após a sua ingestão, começa a circular na corrente sanguínea, afectando todo o organismo, em especial o fígado. A nível dos neurotransmissores, é facilitador da transmissão dopaminérgica, que está associada às características aprazíveis das drogas. Bloqueia o funcionamento do sistema nervoso central, provocando um efeito depressor. A aparente estimulação conseguida com o álcool é, na realidade, resultado da depressão dos mecanismos de controlo inibitório do cérebro. Em primeiro lugar são afectados os centros superiores (o que se repercute na fala, pensamento, cognição e juízo) e posteriormente deprimem os centros inferiores (afectando a respiração, os reflexos e, em casos de intoxicação aguda, provocando coma).

Apesar da ampla função terapêutica do álcool durante a Idade Média, actualmente tem uma utilização muito restrita a este nível. É usado para desinfecção e cura de algumas lesões na pele. O consumo moderado de álcool pode ser benéfico, dado que reduz o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares.

Origem

O álcool, que deve ser tão antigo quanto a própria humanidade, é consumido pelo homem desde sempre. De facto, a fermentação da fruta nunca foi um grande mistério, pelo que os primatas sempre conseguiram produzir leves intoxicações mediante este processo. Nas diferentes civilizações, o consumo do álcool começa a assumir particular saliência a partir da revolução neolítica, altura em que se inicia uma produção mais sistemática de matérias primas (cevada e frutas) e se verifica um avanço nas tecnologias de fermentação.

O hidromel (mistura fermentada de água e mel) e a cerveja são consumidos há milhares de anos. Um texto datado de 3000 anos antes de Cristo, que descreve os gastos de uma família asiática, faz já uma alusão clara a este consumo: “pão e cerveja para um dia”. De 2200 antes de Cristo foram encontradas peças que nos mostram que as mulheres em estado de aleitamento eram incentivadas a beber cerveja. Existem ainda registos que relatam que Hamurabi, um rei babilónico, amparava as pessoas que bebiam cerveja ou vinho de palma e dava ordens de execução aos taberneiros que adulterassem a qualidade das bebidas. Os antigos egípcios, que tinham destilarias há já cerca de seis mil anos, prestavam culto a Osíris como forma de agradecimento pela dádiva da cevada. Por sua vez, os gregos que transferiam esse mesmo culto para Dionísio, tinham por hábito oferecer bebidas alcoólicas a deuses e soldados, utilizando-as também como facilitadoras de relações interpessoais, nomeadamente nos symposia (banquetes com fins recreativos e para discussão de ideias filosóficas e políticas). Os romanos agradeciam a Baco a criação do “vinho divino” e ofereceram um forte contributo para a regulação da produção de vinho e a sua divulgação em toda a Europa. O vinho tornou-se num fenómeno universal, o qual é visível pela proliferação da taberna – local onde era mantida uma reserva de bebidas alcoólicas para serem consumidas nesse mesmo lugar e que assumia também um papel de relevo a nível das relações e actividades públicas.

O álcool desempenha também um papel importante a nível da religião. Na bíblia, por exemplo, existem inúmeras alusões ao vinho. No entanto, o recurso constante ao vinho em cerimónias religiosas não se encontra exclusivamente no Cristianismo, estando generalizado aos Aztecas, à religião familiar chinesa, ao hinduísmo, ao bantu e por aí fora. A excepção à regra encontra-se em religiões como o Islão, que restringem ou proíbem o seu consumo.

A destilação de bebidas deve-se aos árabes, também responsáveis pela introdução deste processo na Europa. No entanto, foram os cristãos mediterrânicos quem liderou o desenvolvimento industrial da produção partir do século XII. Só no século XIV é que esta tecnologia, já perfeitamente desenvolvida, tem implantação no resto da Europa.

Durante toda a Idade Média, o álcool esteve intimamente associado à saúde e bem-estar sendo conhecido pela designação de aqua vitae. Só em fins do século XVI é que adopta a actual terminologia, a qual etimologicamente tem origem na palavra grega alkuhl que se refere ao espírito que se apodera de todo aquele que se atreve a abusar dos produtos fermentados.

O álcool torna-se num importante produto comercial aquando das trocas com as colónias, oferecendo largos lucros aos seus comerciantes, o que também é explicado pela natureza estável dos produtos destilados europeus (aguardente, rum, genebra em especial), os quais não sofrem deterioração com as distâncias a serem percorridas nem com o tempo. Progressivamente, estes produtos começam a substituir as produções locais de fermento, o que faz com que os destilados se convertam num dos primeiros mercados mundiais (século XVII).

A revolução industrial do século XIX abre caminho para uma ainda maior expansão do mercado dos destilados, contribuindo consequentemente para um aumento notável do seu consumo, o qual é acompanhado pelo aumento de problemas relacionados com estes produtos. É neste contexto que surgem as leis de proibição dos anos 20 nos Estados Unidos e as campanhas de prevenção, a partir dos anos 60, em países desenvolvidos.

Efeitos

O álcool é a droga mais conhecida e aceite socialmente. É muito procurada devido à crença de que os seus efeitos são estimulantes. De facto, as bebidas alcoólicas podem induzir um estado inicial de desinibição, loquacidade, euforia, falsa segurança em si próprio e, por vezes, impulsos sexuais desinibidos ou agressivos.

Progressivamente, as características depressoras do álcool começam a tornar-se mais notórias, podendo surgir efeitos como relaxamento, sonolência, turvação da visão, descoordenação muscular, diminuição da capacidade de reacção, diminuição da capacidade de atenção e compreensão, deterioração da capacidade de raciocínio e da actividade social, fala premente, descoordenação, mudanças no estado de ânimo, irritabilidade, fenómenos de amnésia, fadiga muscular, etc.

Riscos

O consumo de álcool em grandes quantidades pode provocar acidez no estômago, vómito, diarreia, baixa da temperatura corporal, sede, dor de cabeça, desidratação, falta de coordenação, lentidão dos reflexos, vertigens, dupla visão e perda do equilíbrio.

O facto do indivíduo se sentir muito seguro de si próprio, como consequência da depressão do sistema nervoso, poderá potenciar a adopção de comportamentos perigosos. Neste âmbito, fazemos referência ao exemplo dos acidentes de tráfego, a primeira causa de morte entre os jovens.

Nos casos de intoxicação aguda é possível verificar-se mudanças de comportamento desadaptativas, labilidade emocional, deterioração da capacidade de julgamento, amnésia dos acontecimentos durante a intoxicação, perda de consciência, coma etílico e morte por depressão cardio-respiratória.

Quando consumido de forma crónica pode provocar efeitos a longo prazo nos diferentes órgãos vitais. Assim sendo, pode verificar-se a deterioração e atrofia do cérebro, anemia, diminuição das defesas imunitárias, alterações cardíacas (miocardite), hepatopatia, cirrose hepática, gastrite, úlceras, inflamação e deterioração do pâncreas, transtornos na absorção de vitaminas, hidratos e gorduras, rebentamento de capilares, cancro e danos cerebrais. Também a nível psicológico e neurológico estes efeitos poderão ser notados - irritabilidade, insónia, delírios por ciúmes, mania da perseguição, psicose e, nos casos mais graves, encefalopatias com deterioração psico-orgânica (demência alcoólica).

A mistura do álcool com outras drogas, especialmente se elas forem também depressoras (como é o caso da heroína), pode ser perigoso e ter consequências como a coma ou a morte.

De uma forma geral, a mulher, devido à sua estrutura física, tem mais dificuldades em lidar com os efeitos do álcool. A mulher grávida que consume álcool com bastante regularidade poderá estar a colocar o feto em risco - síndrome alcoólica-fetal (caracteriza-se por malformações no feto, baixo coeficiente intelectual, etc).

A nível social o consumo do álcool pode ter consequências como a desintegração familiar, crises, maus tratos, absentismo laboral, aumento de acidentes rodoviários, comportamentos criminosos, alterações da ordem, etc.

Os efeitos do álcool, assim como a ressaca sentida após o seu consumo, poderão ser atenuados ser a pessoa tiver ingerido alimentos antes do consumo (diminui o grau de absorção) e se beber água para combater a desidratação.

Tolerância e Dependência

O álcool origina tolerância e grande dependência física e psicológica. Em alguns casos, encontra-se a chamada tolerância negativa, a qual se encontra em indivíduos que ficam completamente ébrios com o consumo de uma pequena quantidade de etanol.

Síndrome de Abstinência

O síndrome de abstinência provocado pela supressão do álcool costuma ser bastante intenso, requendo, por vezes, cuidados médicos urgentes. Geralmente, nas primeiras horas de privação pode sentir dor de cabeça forte, náuseas, enjoo, vómitos, inquietação, nervosismo e ansiedade, aos quais se podem seguir cãibras musculares, tremores e grande irritabilidade.

Nos casos mais graves, após o 2º dia, pode surgir o delírium tremens: desintegração dos conceitos, aparecimento de delírios, alucinações, fortes tremores.

publicado por cm30ativo às 14:17
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ABUSO DE DROGAS NA FAMILIA

ABUSO DE DROGAS NA FAMÍLIA:

O que você pode fazer?

Os jovens e as drogas “Eles precisavam morrer?”

Essa pergunta foi feita na capa da revista brasileira Veja.

Junto com a pergunta havia fotos de jovens de aparência jovial e normal que haviam morrido — vítimas do abuso de drogas.



Segundo um estudo realizado no Brasil e publicado no Jornal da Tarde, 24,7% dos jovens entre 10 e 17 anos já experimentaram algum tipo de droga.

APESAR dos riscos bem-conhecidos, as pessoas continuam a abusar de drogas, e esse abuso continua a destruir vidas. Esse vício custa aos Estados Unidos uns 100 bilhões de dólares por ano em serviços de saúde, perdas na produtividade do trabalho, ganhos perdidos e crime. Mas talvez sejam os jovens — praticamente crianças — que pagam o preço mais alto.

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O dependente químico na ativa: Usando e abusando das drogas

A função primordial do uso de drogas na sociedade é, antes de obter o prazer, é o de evitar em pensar, é de não sofrer. O uso de drogas é uma tentativa então de não sentir a dor existencial.

Dizer que as drogas são a causa da deterioração da vida é, no mínimo, uma inversão de valores. É o próprio sistema social que cria uma tendência a proliferação da drogadição.

Não é a droga que tem o poder, é a pessoa dependente que está fragilizada. O dependente não adoeceu porque começou a tomar drogas, mais sim por estar adoecido existencialmente buscou nas drogas uma "solução" ou "cura" para suas feridas mais íntimas.

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Drogadição: Um jeito triste de Viver

Transformando-se em existência escrava da droga, definitivamente não há lugar para o outro, o semelhante. De modo geral, na historia de vida da pessoa drogadicta, o outro sempre foi o outro-coisificado, mero instrumento ou objeto. A dependência de droga revela, sem duvida, a ausência do outro, do próximo. Isso explica porque o dependente não consegue manter relacionamentos profundos e duradouros com seu semelhante. A experiência do eu é vinculada a um objeto a ponto da experiência do nós ser anulada. A drogadição é o aniquilamento do eu e do nós, ou seja, do posicionamento no mundo.

Não é por acaso ou por simples coincidência que a pessoa drogadicta gosta da noite. Na noite a pessoa dependente vive às escondidas, nos cantos, às margens. Roda ou anda pela noite toda, sem rumo, "por aí", desesperada, consciente o não, em busca de prazer, segurança ou mortal conforto nas drogas para suas feridas interiores. Tenta o absurdo de evitar a solidão, solitário, com drogas. A drogadição assemelha-se perfeitamente bem com as trevas.

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"...Não basta garantir vacinação até os seis anos e deixarmos a garotada morrer aos 15 anos à bala"

A violência incorpora-se ao cotidiano das pessoas, principalmente nos grandes centros urbanos. Impunidade, abuso de poder, jovens sem perspectivas, miséria, injustiça social e excesso de armas em mãos civis são alguns dos fatores que contribuem para essa escalada. Mas as instâncias que poderiam coibir a violência às vezes contribuem para ela. A polícia em vez de atuar em defesa da sociedade, ainda aparece como um braço armado do Estado contra o cidadão.
 

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Remédio para o coração pode ajudar viciados em cocaína. O remédio pode acabar com o 'desejo' pela droga

Pesquisadores da Universidade Médica da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, descobriram que o remédio N-Acetyl Cysteine (NAC) pode ajudar a reduzir a vontade de consumir a cocaína ao eliminar a sensação de bem-estar proporcionada pela droga

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Acamprosato:

Uma droga criada especificamente para o tratamento do alcoolismo: Essa substância ao contrário da naltrexona é nova e foi criada especificamente para o tratamento de dependentes de alcool.

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A cocaína, droga psicoestimulante,

é usada freqüentemente em associação com outras drogas de abuso (álcool, heroína, sedativos, maconha, entre outras). Entre estas, o consumo simultâneo de cocaína e álcool tem aumentado significativamente nos últimos anos em todo o mundo. Com o objetivo de estudar a associação entre essas drogas, foi realizada uma pesquisa bibliográfica via Internet, utilizando programas de pesquisa científica (Pubmed e Lilacs), além de pesquisa em trabalhos relacionados ao assunto

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Calmantes:

Conseqüências adversas do uso prolongado de doses terapêuticas baixas de tranqüilizantes benzodiazepínicos (BDZ): tolerância aos efeitos deletérios agudos e terapêuticos, dependência fisiológica e possíveis efeitos adversos sobre os rendimentos indivíduais (atenção, memória e psicomotricidade) que sejam específicos ao uso prolongado.

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Entrevista

O médico que coordenou a maior pesquisa sobre alcoolismo já feita no mundo diz que dois drinques por dia são o limite.

Durante cinqüenta anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, acompanharam a vida de 600 homens para identificar  as causas de um problema que atinge 10% da população mundial; ou seja, 600 milhões de pessoas.  
 


400 nunca tiveram problemas com alcool

200 tornaram-se  alcoólatras. Sendo que:

 
80 têm uma recuperação estável

75 conseguiram isso pela abstinência total

5 bebem socialmente

 


Das 120 restantes

80 morreram de doenças provocadas pelo álcool

40 continuam bebendo de maneira alcoólatra e provavelmente morrerão de doenças provocadas pelo álcool

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Freud Cocaína e a sua Noiva.

Entre as idades de 28 e 39, por onze anos, Sigmund Freud utilizou regularmente a cocaína em sua forma de alcalóide, em pó.  Como jovem neurologista, essa foi sua primeira tentativa experimental fora da prática médica tradicional.  Ele estava buscando o reconhecimento público capaz de gerar a clientela que lhe traria  fama e recursos financeiros permitindo, assim, que  se casasse com sua noiva, de quem estava separado havia dois anos.  

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publicado por cm30ativo às 14:14
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DROGAS RESOLVEM...?


Você sabia,

a respeito da crise de pânico,

  • que a síndrome do pânico é uma doença, mas a crise não?
  • que depois da crise deveria ocorrer diminuição da ansiedade, e não aumento?
  • que sua verdadeira causa não é curada, mas agravada pelos psicotrópicos?

    Não basta descrever os sintomas. É preciso conhecer sua causa. Então,

    • o que causa as alterações químicas no cérebro na hora da crise?

    E mais: o que significam e como resolver:

  • a sensação de morte iminente?
  • a incapacidade de ficar só?
  • os pensamentos catastróficos?

    Das respostas a perguntas como essas surge a direção para uma solução definitiva do pânico, que a pessoa consegue por si mesma, sem dependência de intermináveis controles químicos.

  • publicado por cm30ativo às 14:10
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